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terça-feira, 15 de junho de 2010

Aprendizagem virtual e suas potencialidades pedagógicas


A evolução do pensamento em educação vem tornando-se cada vez mais amplo, devido não só ao avanço tecnológico, mas também aos vários estudos na área, os quais têm como objetivo produzir novas metodologias que otimizem o processo de ensino-aprendizagem, tanto na aquisição de conhecimentos quanto na satisfação de trabalho de ambos, educadores e educandos.

Neste artigo produzido por Honório Salmerón, Sonia Rodriguez e Calixto Gutiérrez, eles fazem uma análise da utilização de tecnologias da informação e comunicação e também elementos pedagógicos provenientes de aproximações socioculturais.

A aprendizagem virtual, como as oferecidas pelas plataformas para o aprendizado colaborativo mediado pelo computador favorecem a comunicação, a mediação e a construção compartilhada do conhecimento. O uso destas ferramentas tecnológicas que contenham inovações educativas pode ser de grande relevância tanto na gestão de programas educativos, quanto em processos de educação universitária no desenvolvimento de unidades curriculares, estendendo assim as fronteiras para fora da sala de aula.

Nesta junção de tecnologias de informação e educação, se expande a inclusão de modalidades de ensino-aprendizagem não presenciais e semi-presenciais ou blended learning, as quais usam da internet como tecnologia de distribuição de informação e formação de conhecimento, misturados com métodos de ensino baseados na aprendizagem colaborativa e cooperativa, as quais eles consideram como bastante adequada, pois proporcionam aos alunos um contexto virtual de aprendizado entre iguais com interações educativas de qualidade.

O uso exclusivo desta ferramenta para acumular informação, não é uma ação pedagógica. Somente adquire valor pedagógico quando as interpretamos como artefatos mediadores entre o docente e o aluno ou entre iguais que proporcionam um contexto educativo singular e virtual facilitador de processos interativos de co-construção de conhecimento.

Neste contexto alguns estudiosos construtivistas como Vygosky e Piaget defendem a importância da comunicação na interação para o desenvolvimento cognitivo, ainda que com visões diferentes.

Através de métodos de ensino colaborativos e ou cooperativos pelo computador pretende-se capacitar os alunos para distintas modalidades: presencial, semi-presencial e não presencial. Apesar de ambos os termos, aprendizagem colaborativa e cooperativa, serem semelhantes, cada uma apresenta características próprias:

Colaborativa: menos estruturada; processo não tão claramente definido (os membros do grupo discutem e negociam o processo); e busca-se a interdependência igualitária (os membros do grupo escolhem).

Cooperativa: o processo é geralmente sugerido ou imposto; e a estrutura do grupo é geralmente imposta (o professor decide).

Algumas experiências positivas, estudos, com o uso desta metodologia de aprendizado colaborativo/cooperativo através de ferramentas de aprendizado em rede são apresentados: WebQuest (aprendizado baseado em problemas; Riaño e González, 2008 ), sinergia (área virtual para compartilhar trabalhos, grupos de investigação; Jimenéz, Llitjós e Puigcever, 2007), Aprendizado baseado em projeto, no qual se comparou esta metodologia de ensino ao rendimento acadêmico (Pérez-Poch, 2006); entre outros estudos tratados no artigo.

As conclusões que chegaram revisando estes estudos foram que o uso das plataformas virtuais como otimizadoras da comunicação facilitam a aprendizagem colaborativa-cooperativa independente do nível educacional dos estudantes. Também geram progressos no desenvolvimento acadêmico, social e cognitivo, pois se utilizam das trocas sócio-cognitivas, as quais podem gerar conflitos e assim construir e reconstruir conhecimentos. O aumento de redes e desenvolvimento de ambientes virtuais que propiciem a criação de um espaço contínuo em que professores e alunos se encontram e trabalham com os recursos de aprendizado já é uma realidade e uma possibilidade para melhorar e ampliar as fronteiras do processo de ensino-aprendizagem.

Bibliografia:

Salmerón Honorio; Rodríguez Sonia; Gutiérrez Calixto. Metodologías que optimizan la comunicación en entornos de aprendizaje virtual. Comunicar, n° 34, v. XVII, 2010, páginas 163-171.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

AVALIANDO A APRENDIZAGEM

Muito tem se discutido sobre os métodos avaliativos utilizados pelos professores atualmente para "quantificar" o conhecimento adquirido pelos alunos em sala de aula. Porém, a qualidade destes métodos avaliativos vem sendo cada vez mais questionada: para muitos as avaliações realmente são capazes de medir a quantidade e a qualidade do conhecimento assimilado pelos alunos; enquanto que para tantos outros as avalições são altamente insuficientes no que se diz respeito à este propósito.

Em trabalho desenvolvido por Rodrigues & Precioso (2010), sobre a qualidade dos testes aplicados pelos professores atualmente para avaliar o conhecimento científico adquirido por alunos do 6º ano, eles discutem que para muitos autores "os testes constituem o instrumento dominante e, por vezes, quase exclusivo da avaliação dos alunos. É fundamental que os professores elaborem estes instrumentos com qualidade, pois da sua aplicação depende, muitas vezes, a classificação atribuída aos alunos e, consequentemente, o seu futuro."

Os testes atualmente, em muitos casos, são aplicados pelos professores como uma forma de controlar e impor respeito aos alunos, uma vez que em muitos casos os alunos só passam a dar valor no que é dito e ensinado pelo professor quando o que o professor está ensinando vai lhes garantir nota, ou evitar que percam pontos (os quais eles valorizam por depender deles para "passarem de ano"); de modo que a preocupação principal, que seria avaliar a aprendizagem dos alunos, é deixada em segundo plano, o que pode interferir na qualidade dos testes elaborados pelos professores.
Os resultados do trabalho de Rodrigues & Precioso (2010) sugerem que "os testes de avaliação apresentam uma clara predominância de questões que visam avaliar o conhecimento substantivo, sendo raras as perguntas que avaliam as restantes competências. Não são colocadas questões relacionadas com o saber processual e epistemológico, e de raciocínio. Podemos admitir, que questionar a Ciência e avaliar atitudes são desempenhos que os professores que realizaram os testes da amostra, ainda não introduziram nas suas práticas avaliativas."

Propor o questionamento da Ciência em sala de alua, sobre como ela funciona e qual sua aplicabilidade no cotidiano dos alunos, é altamente útil e necessário, uma vez que esta ferramenta educativa fará com que os alunos agucem a curiosodade, se tornem perseverantes e desenvolvam atitudes inerentes ao trabalho de Ciências. Assim, se preciso for, estarão aptos para reformular seus trabalhos, sendo sensíveis e éticos para trabalhar com a Ciência.
Concluindo seu estudo, Rodrigo & Precioso (2010) constataram que os testes atuais aplicados pelos professores para avaliar a aprendizagem dos alunos, "avaliam tópicos e objetivos, que na maioria dos casos, parecem não ter interesse para a vida dos alunos e estão fundamentalmente relacionadas com a memorização de conteúdos. Prevê-se que após a elaboração do teste, serão esquecidos, porque não tiveram para o aluno qualquer interesse prático. Este fator poderá constituir uma das causas do insucesso escolar. A aprendizagem de conteúdos desprovidos de significado, algumas vezes inúteis para a vida, poderá conduzir ao desinteresse e, logicamente, ao referido insucesso escolar."

Desse modo torna-se evidente e necessário que a avaliação não se deva primar somente em testes, pois eles sozinhos são incapazes de avaliar o aluno em todos os sentidos. O professor deverá buscar outras alternativas, diversificar e desenvolver uma metodologia em que os alunos sejam atuantes e desenvolvam atitudes e valores.


Referências Bibliográficas:

- RODRIGUES, C. & PRECIOSO, J. Avaliar a avaliação: um estudo efectuado com testes do 6º ano de escolaridade de Ciências da Natureza. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias v. 9, nº 2, pp. 418-434, 2010.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Especulações Sobre o Ensino de Ciências no Brasil Contemporâneo





A importância de saber ciências hoje é algo marcante. Somos capazes, com o conhecimento científico, de questionar as informações inquietantes que a mídia nos traz diariamente.

Pesquisadores pesquisaram outros pesquisadores (isso mesmo!) que estão relacionados ao ensino de ciências. O intuito foi definir o que é característico desta área aqui no Brasil. Foi visto dentre as características, as mais evidentes como a interdisciplaridade e a inserção da história e filosofia da ciência, dentre outras.

A interdisciplinaridade é apontada como uma das características principais para que o aprendizado em ciências seja mais efetivo. Ela é a relação de disciplinas que juntas tentam desvendar o mesmo objeto. Assim entender pela ótica da interdisciplinaridade possibilita ao sujeito uma interpretação do objeto mais próxima da realidade. Exemplo: Dentro da educação ambiental podemos pegar a problemática do lixo urbano (objeto a ser entendido). Será que somente a Biologia conseguiria explicar esse problema de forma que seja o mais próximo do que ocorre no real? Possivelmente não! Para entender o problema do lixo urbano é necessário interrelacionar os conhecimentos de Geografia com os de Biologia, por exemplo, para saber o seu impacto no solo e o tempo que demoraria para degradar na natureza. Entra também os conhecimentos de Química e Física para analisarmos a durabilidade de cada material e o tempo de vida médio de algumas substâncias. Essa análise também demandaria o uso de cálculos, uma ferramenta da matemática. Como o problema do lixo é também um problema social, é natural utilizarmos os conhecimentos das ciências humanas para decifrarmos e atuar de forma positiva construtiva.Com mais abrangência poderíamos filosofar sobre nosso sistema econômico e o modo de produção vigente. Nas escolas é passado o conteúdo de maneira interdisciplinar ou continuamos na forma compartimentada e não relacionada do conteúdo?

Conhecendo a ciência através de uma visão histórica e filosófica é possível compreender melhor seus conceitos e usá-los para entender o mundo contemporaneo. O contexto histórico-filosófico aproximaria o aluno da ciência propriamente dita. A ciência perderia essa característica de produto e seria entendida como um processo, que sempre estará em construção. Segundo Guerra et al, a abordagem histórico-filosófica pode ser entendida como conceito simples:


É o ensino das ciências a partir de uma concepção histórico-filosófica e não a substituição de tópicos do programa de ciências por outros de sua história ou filosofia. Será a partir de um ensino com esta concepção que os alunos irão perceber que as teorias científicas que estão aprendendo não são um "retrato" da natureza, mas sim uma construção teórica que parte da natureza enquanto realidade construída e não como um dado a priori. 

Esta abordagem também visa a integração das diferentes disciplinas, corroborando com o conceito da interdisciplinaridade.

A realidade do ensino de ciências nas escolas ainda é defasada e os alunos não sabem para que ela existe.

Os PCNs (disponíveis na página do MEC) tem a proposta de oferecer subsídios para um novo ensino nas escolas. O ensino deixa de ser mecânico ( por repetição de fórmulas e argumentos) para ser mais interativo, construtivo, interdisciplinar e formador de sujeito que esteja mais apto a diagnosticar e interferir em problemáticas que necessite do conhecimento aprendido. A escola que era preparatória para o vestibular passa a ter um papel crucial de formar cidadãos críticos. No PCN o ensino tradicional é julgado defasado e há uma série de propostas que visam a reforma do ensino. Ao professor de ciências nas escolas cabe promover atividades aos alunos, em que seus interesses e preferências possam se manifestar, suas diferenças individuais possam ser reveladas e valorizadas, o que também contribui para a motivação e o desejo de aprender. 


O sujeito crítico é capaz de perceber que o consumismo não é uma forma consciente do uso dos recursos naturais? Saberá dizer que óleos vegetais realmente não possuem colesterol? 

Creio que estamos em período de transição. Geralmente transições não acontece de um dia para o outro e demanda a vontade de mudanças. Assim, temos um papel crucial para revitalizar a imagem da ciência, desmistificando-a. Torná-la instrumento acessível, mais uma ferramenta para a cidadania e melhoria social. 


Referências:


NARDI, R. ; ALMEIDA, Maria José P M. Educación en Ciencias: lo que caracteriza el área de enseñanza de las Ciencias en Brazil según investigadores brasileños.. REEC. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 3, p. 24-34, 2008.

GUERRA, A.; FREITAS, J.; REIS, J. C.; BRAGA, M. A. A Interdisciplinaridade no Ensino das Ciências a Partir de uma Perspectiva Histórico-Filosófica. Cad.Cat.Ens.Fís., 15(1), 2-46, 1998




segunda-feira, 24 de maio de 2010

Senso comum e conhecimento científico.

Do senso comum ao conhecimento científico vai uma distância considerável, apesar de que, ao longo dos tempos se verifique uma aproximação.
O primeiro baseia-se nos sentidos, crenças, tradições, acredita no que vê ou sente, é fruto das experiências do cotidiano ou naquilo que se tornou evidente através da evolução da ciência. Esta por sua vez procura através do raciocínio objetivo, assente na faculdade racional do ser humano e em métodos experimentais, a comprovação daquilo que os sentidos nos mostram.

Principais características do senso comum:
  • Caráter empírico - o senso comum é um saber que deriva diretamente da experiência cotidiana, não necessitando, por isso de uma elaboração racional dos dados recolhidos através dessa experiência.
  • Caráter acrítico - não necessitando de uma elaboração racional, o senso comum não procede a uma crítica dos seus elementos, é um conhecimento passivo, em que o indivíduo não se interroga sobre os dados da experiência, nem se preocupa com a possibilidade de existirem erros no seu conhecimento da realidade.
  • Caráter assistemático - o senso comum não é estruturado racionalmente, tanto ao nível da sua aquisição, como ao nível da sua construção, não existe um plano ou projeto racional que lhe dê coerência.
  • Caráter ametódico - o senso comum não tem método, ou seja, é um saber que não segue nenhum conjunto de regras formais. Os indivíduos adquirem-no sem esforço e sem estudo.
  • Caráter aparente ou ilusório - como não há preocupação de procurar erros, o senso comum é um conhecimento que se contenta com as aparências, formado por isso, uma representação ilusória, deturpada e falsa, da realidade.
  • Caráter coletivo - o senso comum é um saber partilhado pelos membros de uma comunidade, permitindo que os indivíduos possam cooperar nas terefas essencias à vida social.
  • Caráter subjetivo - o senso comum é subjetivo, por que não é objetivo: cada indivíduo vê o mundo á sua maneira, formando as suas opiniões, sem a preocupação de testá-las ou de fundamentá-las num exame isento e crítico da realidade.
  • Caráter superficial- o senso comum não aprofunda o seu conhecimento da realidade, fica-se pela superfície, não procurando descobrir as causas dos acontecimentos, ou seja, a sua razão de ser que, por sua vez, permitiria explicá-los racionalmente.
  • Caráter particular - o senso comum não é saber universal, uma vez que se fica pela aquisição de informações muito incompletas sobre a realidade (por isso também se diz que ele é fragmentado), não podendo, assim, fazer generalizações fundamentadas.
  • Caráter prático e utilitário - o senso comum nasce da prática cotidiana e está totalmente orientado para o desempenho das tarefas da vida cotidiana, por isso as informações que o compõem são o mais simples e diretas possível.
Principais características do conhecimento científico:
  • O conhecimento científico baseia-se na evidencia verificável. Isto significa que os seus resultados e conclusões podem ser sempre verificados ou confirmados por outras pessoas. Todas as conclusões devem permanecer abertas, pois no futuro podem aparecer justificativas mais razoáveis. Além disso a ciência nunca é detentora de verdades absolutas.
  • A ciência é eticamente neutra, mas o cientista, por ser um indivíduo, não o é, cada um de nós tem um sistema de valores que influencia a sua vida em sociedade. Desta forma, quando se produz energia nuclear, em paz é para produzir eletricidade, mas em guerra pode ser para produzir mísseis.
  • O conhecimento científico tem por base técnicas específicas para recolher dados, que garantem: exatidão (dados que correspondem aos fatos), e a precisão (dados que refletem bem a medida, o grau desses fatos observados), assim a investigação científica baseia-se numa recolha sistemática dos dados, que devem logo ser registrados, e tudo deve ser feito com objetividade, não devendo ser influenciados por preferências, crenças, desejos e valores.
O senso comum e a ciência.
O senso comum é um saber que se adquire através da vida que se leva em sociedade, por isso, é um saber informal adquirido de forma espontânea através do contato com o próxino, com situações e objetos que rodeiam o indivíduo.

Apesar de suas limitações, o senso comum é fundamental, sem o qual os membros integrantes da sociedade não conseguiriam orientar-se na sua vida cotidiana.

É um saber muito simples, superficial e informal, que não se exige grandes esforços nem bases consistentes que atestam a sua veracidade ou proveniência, ao contrário das ciências, que assentam em conhecimentos formais porque requerem um longo processo de aprendizagem/conhecimento.

A idéia de que todo cientista é uma pessoa de inteligência incontestável é amplamente divulgada pela mídia e essa divulgação não é gratuíta. Com essa imagem de "ser superior" o cientista torna-se um formador de opinião, induzindo o pensamento das camadas populares e vendendo produtos nos comerciais de televisão. Só que a realidade passa longe disso.

Um indivíduo é considerado cientista quando se especializa em um determinado assunto e essa especialização parte de um conhecimento prévio do indivíduo. Em outras palavras, todo indivíduo dotado de um conhecimento prévio comum a todos pode buscar uma especialização. Mas o que é esse conhecimento prévio? É o que se costuma chamar de senso comum.

O senso comum e a ciência partem do mesmo princípio: a necessidade do homem de compreender o mundo e a si mesmo. O ser humano, por milhares de anos, viveu numa sociedade em que não havia ciência e mesmo assim deu continuidade ao processo de evolução. É preciso compreender que sendo a ciência um refinamento do senso comum, devemos então respeitá-lo e não desprezá-lo, já que esse serve de ponto de partida para aquela ou seja a ciência.

Ciência e Educação, vol. 15 nº 3, 2009.
Docio,L; Razera, J. C. C.; Pinheiro, U. S.




domingo, 16 de maio de 2010

BLOGS COMO FERRAMENTA PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA




As informações digitais são novas ferramentas para facilitar o envolvimento do público geral nas discussões sobre ciência. Essa participação nas discussões científicas inclui criatividade científica individual, etnociência, conhecimento local e discurso público. A internet tem se tornado uma parte da comunicação científica e ainda não está claro como mídias como fóruns e blogs podem contribuir para os debates da ciência. As pessoas “leigas” podem por esse meio, não serem apenas agentes passivos (receptores) de assuntos científicos, mas podem contribuir com esses debates.

“Blog” é uma webpágina que facilita a comunicação informal entre o autor do blog e seus leitores. Os blogs sobre ciências são um potencial modelo de jornalismo científico e uma ótima ferramenta que pode ser utilizada por instituições acadêmicas para disseminar a informação acadêmica e facilitar a discussão sobre ciência e, ainda, para suprir o déficit de comunicação científica. Os blogs geralmente são comentários jornalísticos e estudantis ao invés de análises baseadas em pesquisa. Para envolver o público o blog precisa: informar leitores sobre notícias científicas, explicar de forma entendível para “leigos”, avaliar resultados de pesquisas já realizadas, articular posições sobre assuntos controversos.

Kouper (2010) fez um estudo sobre os blogs relacionados à ciência, pois não havia nenhum estudo sobre essa nova ferramenta. Devido à novidade da pesquisa, a avaliação dos blogs foi baseada nos participantes, fontes de blog, conteúdos dos tópicos e modos de participação. Foram amostrados da internet 11 blogs pela procura por “science blogs” e “blogs about science” e esses foram “seguidos” durante o verão de 2008 (por 30 dias os blogs menos ativos e por 5 dias muito ativos). O número de comentários amostrados foi limitado aos primeiros 15 comentários por tópico (ao todo, 174 tópicos globais e 1409 comentários dos 11 blogs foram analisados).

Os blogs de ciência cobriram uma variedade de assuntos e tópicos além de ciência. Entre os tópicos relacionados à ciência os tópicos freqüentemente mais cobertos eram evolução, saúde, e espaço. Sendo um gênero mais pessoal de comunicação, blogs permitem maior variabilidade de expressão, e os autores confiaram em sua experiência pessoal, notícias e comentários de outras mídias e documentos de pesquisas para escrevem os textos. Os autores do blogs de ciência examinados são relacionados de alguma forma à ciência: estudantes especialistas em alguma área, pesquisadores, professores de certas disciplinas (como Biologia e Física) e jornalistas científicos.

Uma das características dos blogs é o uso de exageros e generalizações. Os autores de blog usam esta técnica jornalística para chamar a atenção dos leitores, às vezes até de forma sensacionalista. Deste modo, as notícias ficam mais divertidas, contudo pode impedir que os leitores adquiram informações precisas e que formem sua própria opinião, sendo então difícil confiar nessa fonte de informação. A intenção de fazer algo compreensível para o público nem sempre pode alcançar o seu objtetivo e, além disso, há muitas opiniões emocionais e comentários insultantes em alguns blogs mais “polêmicos”.

Leitores de blogs de ciência também tiveram alguma relação com ciência. Eles são estudantes, pós-doutorandos, professores e investigadores de várias áreas científicas. A leitura de blogs e os comentários é uma necessidade para que esses adquiram notícias de várias áreas científicas e de haver diálogo com os autores.

O autor do estudo admite ter havido várias limitações na pesquisa. Devido ao número pequeno de posts e comentários, poderiam ter sido negligenciados certos modos importantes de participação. O papel de humor em comunicação de ciência e interpretação de coletivo de conhecimento também precisa ser examinado. E deve ser analisado também os leitores que apenas sequem os conteúdos, mas não postam comentários (lurkers). E conclui que, em relação aos blogs referentes à ciência, é necessário um esforço em comum de cientistas, jornalistas, pedagogos, e outros grupos de atores para repensar o papel de blog na promoção da participação na ciência. Blogs científicos devem propiciar a participação de pessoas não-cientistas, focalizar em modos explicativos, interpretativos e críticos ao invés de apenas informar e opinar.

Esse texto abre espaço para pensarmos e fazermos uma avaliação sobre o nosso blog. Qual o objetivo do blog “BIOPIBIDUFSJ”? Quem são os autores do blog? Quem são os leitores do blog? Quais são as formas de participação dos leitores?


Blogs pesquisados por KOUPER (2010):

scienceblogs.com/purepedantry

scienceblogs.com/drugmonkey

scienceblogs.com/scientificactivist

scienceblogs.com/pharyngula

www.wired.com/wiredscience

blog.bioethics.net

blogs.discovermagazine.com/cosmicvariance

www.pandasthump.org

scienceblog.com

www.microbiologybytes.com/blog

www.syntesis.cc


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KOUPER, I. Science blogs and public engagement with science: practices, challenges, and opportunities. Journal of Science Communication. 9(1), March 2010.





terça-feira, 11 de maio de 2010

Jogo Doença de Chagas

Vejam que inbteressante esse jogo produzido por um ex-bolsista PIBID em um estágio na FioCruz do Rio.

http://www.invivo.fiocruz.br/chagas/quadrinhos.html

Simples e interativo, útil e belo! Parabéns Samuel! e a toda equipe.

terça-feira, 4 de maio de 2010

CONHECENDO O GENOMA

Lendo o artigo ¨BIOLOGIA E ÉTICA: UM ESTUDO SOBRE A COMPREENSÃO E ATITUDES DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO FRENTE AO TEMA GENOMA/DNA¨ pude perceber a importância da investigação como uma alternativa para o trabalho do professor dentro de sala de aula, pois é possível melhorar a qualidade das aulas, formando alunos críticos e atuantes, capazes de atitudes bem pensadas em sua vida pessoal e profissional.

De acordo com os autores, a prática pedagógica de qualidade se baseia no currículo escolar e, principalmente, na formação inicial (e permanente) dos professores, contemplando aspectos como a ruptura de visões simplistas sobre o Ensino de Ciências. Para isso, são requisitos necessários, o conhecimento da matéria a ser ensinada, que o professor mude sua visão sobre o que é ensinar Ciência (adquirida quando era aluno), uma sólida fundamentação teórica para analisar criticamente o ensino tradicional, ter competência para preparar atividades, orientar os trabalhos dos alunos, na avaliação e na atuação como professor-pesquisador.

Podemos observar hoje como é fácil e rápida a obtenção de informação nos meios de comunicação, mas nem sempre o aluno tem uma orientação adequada para interpretar e usar essas informações para construir um conhecimento escolar.

Então para estimular o interesse e a curiosidade deles, os autores fizeram um conjunto de atividades intitulado Projeto Genoma.

Sabemos que a ciência envolve vários conteúdos conceituais pertinentes do nosso cotidiano e está em constante mudança e nem sempre os alunos têm conhecimento e condições de discutir e compreender as novidades científicas.

Assim, o professor não pode oferecer aos alunos conhecimentos definitivos. Alem disso, deve desfazer a concepção elitista da ciência, de que os cientistas são gênios e que o conhecimento científico é inatingível.

Devemos então esclarecer os alunos, capacitá-los a entender, discutir eticamente e opinar sobre aos rumos da ciência. Pois uma pessoa esclarecida tem capacidade de atuar na sociedade.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1999) sugerem que se trabalhem temas sociais de modo interdisciplinar, por meio dos temas transversais (Ética, Meio ambiente e Orientação Sexual), desde o Ensino Fundamental. A partir daí eles poderão contribuir de alguma de alguma forma, desde que sejam contextualizados, para formar o cidadão. Além de ensinar o conteúdo, a escola deve também buscar meios de informar e formar, discutindo as questões éticas permeadas pelos conteúdos do Ensino de Ciência.

É importante contextualizar os conteúdos tratados no Ensino Médio e oferecer aos alunos uma visão atual do mundo, para que conheçam as tecnologias avançadas e as teorias que as sustentam. Mas para isso é preciso investir na formação dos professores, capacitando-os a desenvolverem práticas pedagógicas interdisciplinares de qualidade.

Pois de acordo com a autora, a prática pedagógica é fundamentada em dois referenciais teóricos: a função social do ensino (que cidadão quero formar) e saber como se aprende (psicogênese). Com base nestes referenciais são planejadas a aplicação, avaliação e a reorganização da seqüência de atividades, sempre considerando o contexto educacional.

Vemos hoje, que os professores encontram bastante dificuldade em não produzir o modelo de ensino aprendizagem que viveram. Pois devem saber estimular no aluno a autonomia, o diálogo, o debate de idéias, o trabalho colaborativo e o espírito crítico. Deve sistematizar as observações e pensar criticamente sobre elas.

Dentre as atividades proposta pela autora, uma em especial foi à projeção do filme ¨GATTACA¨, pois também trabalhamos na escola na qual atuamos. O filme projetava uma base de pesquisa futurista em que as pessoas geradas em laboratórios, por meio de manipulações genéticas, tinham suas identidades genéticas classificadas como válidas. Logo, o ser inferior foi gerado pelas vias normais (o ato sexual) e carregava em seu DNA as características positivas e negativas determinadas, ao acaso.

Através dele podemos mostrar a discriminação genética, bastante evidente no filme e que poderá, ser uma realidade nova e dura num futuro próximo. Também os limites entre ciência-religião e ciência–ética, já que o personagem principal no filme era considerado um ser inferior por aqueles gerados através de manipulações genéticas. Além dos conceitos sobre DNA vistos em sala de aula. E isso é bom para esclarecer a eles, caso no futuro, sejam capazes de atuar criticamente na vida cotidiana ou na busca de soluções para problemas sociais.

Assim, de acordo com a autora, é possível levá-los a trabalharem sob hipóteses alternativas e ou novas proposições teóricas a partir de debates e tendo acesso às novidades da Ciência. Podemos todos dar um salto qualitativo em nossas práticas docentes se utilizarmos tais ferramentas. Ensinar Biologia sob uma abordagem curricular conceitual, procedimental e atitudinal é o caminho para a aprendizagem significativa dos conteúdos. Os alunos participaram com muito interesse, questionando e pesquisando para re-elaborar seus conhecimentos.

Devemos assim, como futuros professores, sabermos articular os conteúdos científicos obrigatórios nos currículos, selecionar atividades diversificadas para motivar os alunos, considerando como eles vêem o mundo. Assim, teremos facilidade para perceber as dificuldades e os problemas que aparecem durante o processo de aprendizagem e isso nos tornará professores cada vez mais responsáveis, capazes de romper o velho paradigma de ensino, por transmissão e recepção.


Referência bibliográfica

- ALVES, S. B. F. & CALDEIRA, A. M. A.; Biologia e Ética: um estudo sobre a compreensão e atitudes de alunos do ensino médio frente ao tema genoma/DNA, 2008 – fae.ufmg.br
Disponível em: http://www.fae.ufmg.br

domingo, 2 de maio de 2010

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NO ENSINO DE CIÊNCIAS

Muitos são os métodos usados para o ensino de ciências nas escolas, mas as histórias em qudrinhos (HQ) estão ocupando um espaço de total relevância para tal ensino, despertando e aguçando o interesse dos alunos, uma vez que são histórias chamativas e interessantes, e assim tornam o aprendizado mais agradável.

É preciso que se inove a cada dia a mediação de conhecimentos para que o aluno se torne participativo e interessado em receber os conhecimentos de uma maneira agradável e instigativa, de modo que tais conhecimentos sejam mais detalhados e de vocabulário acessível.

Segundo trabalhos de Cabello e colaboradores (2010), em se tratando de saúde geralmente as crianças e os adolescentes já trazem para a escola conceitos errôneos aprendidos no entorno familiar e na vizinhança. Existem mitos e estigmas que levam a ter medo da hanseníase, criando assim um preconceito muito forte contra os doentes. Frente a este quadro, a educação e a divulgação científica tornam-se uma ferramenta de maior importância, pois através delas pode-se combater esses medos, pode-se mostrar que a doença tem cura quando diagnosticada precocemente e tratada corretamente.

Cabello e colaboradores (2010) ainda ressaltam que existem diversos materiais educativos, de campanhas e divulgação falando de hanseníase; neles, podem ser encontrados conceitos básicos da sintomatologia, diagnóstico, tratamento e cura da doença, mas pouco se fala da imunologia. É nesse sentido que a elaboração, aplicação e avaliação de uma história infantil, trabalhando conceitos encaixados num contexto o mais próximo possível ao real da hanseníase, poderá sem dúvida contribuir para um melhor conhecimento e divulgação da doença, além de instruir as crianças e os adolescentes com conceitos simples de imunologia.


Assim, devido ao fato de que o estudo de doenças em geral é às vezes um tanto complexo devido a termos científicos, o que torna difícil a compreensão deixando o aluno apático e sem interesse em participar da aula, tornando-se somente um recebedor de teorias; métodos inovadores e que sejam de interesse dos alunos como as histórias em quadrinhos, são uma grande e importantíssima ferramenta que os professores não só podem, como também devem utilizar, para que a construção do conhecimento pelos alunos seja cada vez mais interessante, facilitando assim a assimilação do conteúdo pelos próprios.

OBS: iniciativas deste tipo já vêm sendo realizadas com muito sucesso, sendo que uma das mais conhecidas no Brasil é o GIBIO, um gibi criado pelos alunos do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Este é um trabalho que vale muito à pena ser conferido. Abaixo segue um link do site da Banca do GIBIO, onde os gibis podem ser acessados virtualmente. Divirtam-se:

http://www.ufscar.br/fotografia/gibiobanca.php


Referências Bibliográficas:

- CABELLO, K. SA., DE LA ROCQUE, L., SOUSA, I. C. F. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias v. 9, Nº 1, pp. 225-241, 2010.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Caixa, Conto e Ciências

"Um Conto, uma Caixa e a Paleontologia: uma maneira lúdica de ensinar Ciências a alunos com Deficiência Auditiva" é um trabalho feito por pesquisadores que se preocuparam com a relação do ensino de ciências para deficientes auditivos.

O Deficiente Auditivo é aquele que apresenta perda total ou parcial da capacidade de compreender a fala por meio da audição. Essa deficiência pode ser congênita (ocorre durante a gestação ou no parto) ou adquirida. A deficiência auditiva pode se manifestar como:
1-Leve ou Moderada: Apresenta maior capacidade de compreender alguns termos e até mesmo frases gramaticais complexas e podem adquirir a linguagem oral; 2-Severa ou Profunda: perda auditiva que impede o indivíduo de entender, com ou sem aparelho auditivo, a voz humana, bem como de adquirir o código da língua oral.

Em todas as correntes de ensino é enfatizado a importância de que as crianças com deficiência auditiva sejam precocemente diagnosticadas e inseridas em processos de educação para que possam desenvolver melhor o domínio linguístico e a capacidade de se expressar.

O ensino a este estudante acontece em classes especiais (geralmente instituições particulares), onde todos os alunos apresentam o mesmo grau de deficiência. Ou em instituições públicas, onde as turmas são mistas, visando a inclusão do aluno na sociedade. Historicamente, a educação do Deficiente Auditivo voltou-se mais ao desenvolvimento da comunicação do que à transmissão de conhecimentos e quando ocorre o ensino de Ciências é preferencialmente através da linguagem de sinais (LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais) associado à comunicação na língua brasileira (oral e leitura de textos).

Apesar de possuírem a capacidade de ler, os estudantes com deficiência auditiva acabam apresentando uma certa resistência à utilização de textos escritos, pelo fato de estarem menos acostumados a utilizarem o vocabulário da língua portuguesa no seu cotiano, o que dificulta a interpretação e compreensão de textos escritos. O ensino também se limita pela rara existência de materiais pedagógicos adaptados, tais como livros didáticos, materiais digitais e vídeos traduzidos para a LIBRAS.

Mário Dantas e Fernanda Mello desenvolveram um trabalho lúdico para transmitir e construir o conhecimento em ciências através de um conto. A estória  foi produzida e testada em uma escola para deficientes auditivos em Alagoas com alunos da terceira série (idade entre 14 a 20 anos) do Ensino fundamental. O conto versou conhecimentos básicos em paleontologia, sendo utilizados os fósseis locais encontrados na região em que a escola pertencia (Sergipe) e utilizou como recurso a caixa de contos, onde todos os personagens e ambientes ficaram guardados, sendo mostrados no decorrer da história. Nesse, os personagens (bonecos "Lego" e feitos de pano) eram um grupo de crianças ouvintes, uma garotinha chamada Ema (instrumento de identificação entre os alunos) e uma paleontóloga chamada Léa (responsável por passar as informações sobre Paleontologia).

A história começa quando Léa visita a escola em que Ema estuda. Eles são levados a um museu onde aprendem sobre fósseis com a exposição juntamente com as informações passadas por Léa. Então, no decorrer da aula no museu Ema começa a se imaginar encontrando estes animais na época em que eles existiam. O conto termina com Ema e seus colegas sendo convidados a relatarem sobre a visita ao museu e foi ministrado em metodologia bilíngue (LIBRAS e Português) a alunos da terceira série do fundamental. Dessa forma, os alunos aprenderam também conhecimentos de leitura e escrita na língua portuguesa.

No final, foi pedido aos alunos para que explicassem o que haviam compreendido, com o intuito de avaliar o aprendizado através do conto. Os resultados foram satisfatórios, pois observou-se que os conceitos de Paleontologia foram absorvidos. Os conhecimentos adquiridos são importantes por contribuir na geração e disseminação de conhecimento científicos. Estes são cruciais para entender os processos naturais e o ambiente que o indivíduo está inserido. Neste sentido, a Paleontologia, como ciência baseada na Biologia e Geologia, é indispensável, pois conscientiza sobre a importância de preservar e valorizar a vida, em suas variadas formas, além de permitir uma melhor compreensão acerca do surgimento e evolução da vida na Terra.

A forma lúdica se mostrou eficiente na transmissão e construção desse conhecimento necessário. Em um dos relatos um estudante explicou como ele pensava ser o dia de trabalho de um paleontólogo. A principal dificuldade deles foi a apropriação de palavras novas, tais como toxodonte, monossauro... por não fazerem parte do vocabulário deles. Além da importância do conhecimento científico, os resultados da pesquisa são extensíveis a qualquer tipo de estudante. O aprendizado através de metologias lúdicas é um meio eficiente de transmissão de conhecimento. Os autores chamam a atenção também sobra a importância da comunicação em LIBRAS:

"Em um mundo cada vez mais globalizado, a todo momento é reforçado na mídia a necessidade de se aprender novas línguas (e.g. Inglês, Espanhol), para que deste modo haja um maior intercâmbio de informações entre as culturas de diversos povos. Seguindo essa linha de raciocínio, deve-se considerar a língua de sinais como uma língua tão importante quanto às demais, pois seu aprendizado e prática ajudaria a quebrar pré-conceitos, e trazer para junto da sociedade uma classe que por anos foi marginalizada por ser diferente. A língua de sinais é uma língua natural, e própria dos deficientes auditivos, a sua utilização não os torna seres inferiores."

Referências:

- Mário André Trindade Dantas & Fernanda Torello de Mello. Um Conto, uma Caixa e a Paleontologia: uma maneira lúdica de ensinar Ciências a alunos com Deficiência Auditiva. Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias, pag. 51-57. 01.2009

- portal.mec.gov.br

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O poder dos “videogames” no processo de aprendizagem

Uma das mídias ou formas de comunicação mais presente no mundo atual são os “videogames”, afinal de contas, eles proporcionam prazer, descontração, e abrem uma enorme janela para a imaginação. Além disso, eles podem ser considerados como dispositivo cultural que fornece competências especiais para o processo de aprendizagem ou educação.

Os "videogames" são formas de comunicação audiovisual que permitem que tomemos decisões em seu desenvolvimento, ou seja, que interagimos com ele. Um jogo que fornece competências especiais para a educação deve apresentar: desafio, curiosidade e fantasia. Estes fomentam a reflexão, a concentração e o raciocínio estratégico. Eles estão relacionados ao desenvolvimento geral de alguns tipos de reflexos e aumentam assim os níveis de agilidade mental.

Segundo Jerome Bruner o desenvolvimento cognitivo é tanto mais rápido quanto melhor for o acesso da pessoa a um meio cultural rico e estimulante, e neste aspecto o videogame tem grandes atributos. Segundo muitos estudos os jogos virtuais estimulam a capacidade de manipular dados e aplica-los de maneira versátil em contextos e situações concretas na nossa sociedade contemporânea, mesmo que estas passem por constantes mudanças.

Esses meios de interatividade permitem que os estudantes incorporem de maneira cômoda e natural o mundo da informática e dos computadores, e as utilizem também para a educação.

Muitos pais e educadores dizem que o uso destes jogos tanto anula a personalidade dos adolescentes, quanto os fazem confundir realidade de ficção. Também questionam os conteúdos violentos. Entretanto estudos mostram que não há efeitos negativos que se confirmem pelo uso de “videogames”, ou se estes causam aberrações no comportamento infantil. O risco que se tem, é quando o seu uso é intenso, isso impede a dedicação a outras atividades sociais, como a atividades ao ar livre, prática de esportes e afeição à leitura. Essa tendência de nossas sociedades ao individualismo não tem precedentes ao uso de jogos. Pelo contrário, esta mídia, na maioria das vezes, age como objeto de socialização, fomentando a interação de grupos para compartilhar estratégias e táticas.

Mas é essencial conhecer os tipos de jogos que seus filhos ou alunos estão jogando, e uma forma de discernir sobre o conteúdo e faixa etária destes jogos, é utilizando alguns sistemas de classificação que podem ser acessados pela internet, como: o ESRB (Entertainment Software Rating Board) ou PEGI (Pan European Game information), estes sistemas analisam os melhores jogos que podem ser adotados para grupos de diferentes idades. Além disso, conhecer os diferentes tipos de jogos ampliam uma diversidades de possibilidades educativas que podem ser utilizadas para o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas com a representação dinâmica do espaço dentro da aprendizagem como reflexão, pensamento estratégico, e agilidade mental.

Foram citadas algumas categorias de jogos e sua ação cognitiva e social. Entre elas se encontram:
Jogos de ação: propõe ao jogador uma resposta rápida, precisa e determinada. Alguns exemplos são citados, como Space Invaders, Tekken, Mortal Kombat e os mais jogados atualmente são, entre outros, Doom, Quake, Halo, Call of Duty.

Jogos de estratégia: trabalha o desenvolvimento de pensamento lógico e resoluções de problemas. Civilization IV – Age of Empires e Starcraft são os mais jogados, sendo este último utilizado em cursos da Universidade Berkeley na Califórnia, objetivando a ajudar os alunos a entender estratégias bélicas através de ferramentas de cálculo como as equações diferenciais. Rise of Nations é fonte de vários estudos, e o que se tem concluído é que ele pode ajudar a melhorar a velocidade e habilidade de realizar tarefas, melhorar a capacidade de raciocínio e memória aplicada a resoluções das mesmas.

Jogos de aventura: produzem uma alta interatividade, pois necessitam que decisões sejam tomadas constantemente. O King Quest, The Saret of Monkey Island e Indiana Jones são os exemplos citados no texto.

Jogos Esportivos: o futebol e o basquete são os mais jogados, com o aperfeiçoamento tecnológico destas mídias, hoje este tipo de jogo não se resume em apenas realizar uma partida ou fazer gols, os jogos atuais permitem que se preveja o futuro dos jogadores, como contratações ou vendas de passes, ou mesmo a montagem do time, entre outras coisas. Isto também incentiva o raciocínio, a organização de táticas e planejamento.

Jogos de simulação: o My Eco Planet é um jogo recente, produzido pela Ubisoft. Ele foi muito elogiado pelo secretário geral da ONG WWF, Juan Carlos, o qual disse em uma apresentação que estes jogos são uma grande iniciativa, pois agem como uma ligação eficaz entre crianças e adolescentes, de forma a promover o entendimento e amor pela natureza, além do consumo responsável e o respeito pelos animais.

Jogos de interpretação de papéis ou personagens: estes jogos estimulam o desenvolvimento do cálculo mental, o vocabulário, a criatividade, bem como certas atitudes e valores de socialização, como empatia, tolerância, responsabilidade e trabalho em equipe. Este jogo depende da evolução do personagem para, por exemplo, desvendar enigmas como o Final Fantasy. Mas os mais jogados atualmente são: MMORPG (Massive Multiplay Online Role Playing Game), WOW (World of Warcraft), Innov8 entre outros listados.

A Fundação Americana de Cientistas (FAS) defende que para as novas gerações, essas ferramentas serão imprescindíveis e cem por cento efetivas. Os jogos e simulações audiovisuais serão objetos utilizados para preparar os trabalhadores do século XXI.

Portanto envolver nessa experiência com as crianças e adolescentes se faz necessária, tanto para se sociabilizar com o meio cultural em que eles estão envolvidos, quanto para propor jogos que desenvolvam essas habilidades especiais, e assim os ajudem na aprendizagem em sala de aula.

Bibliografia:

ANA SEDENO. Videojuegos como dispositivos culturales: las competências espaciales en educación. Comunicar, n° 34, v. XVII, 2010, páginas 183-189.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A utilização de "webquests" para o ensino de Genética e Biologia Molecular



A Biologia Molecular é uma das áreas das Ciências Biológicas que mais vem crescendo e gerando grande quantidade de novas informações, as quais a escola não consegue acompanhar. Uma grande aliada da Biologia Molecular é a internet. Para que haja um efetivo aprendizado, deve haver uma interação planejada entre práticas didáticas e a utilização do computador.


Sabemos que já existem laboratórios de informática nas escolas públicas do Brasil, mas eles, por si sós, não garantem a aprendizagem. Os computadores e a internet devem ser utilizados de forma a maximizar as possibilidades de aprendizado do aluno. É indispensável também um treinamento dos professores, além do incentivo para realizar novas atividades e não ficar apenas presos ao quadro e ao giz. A internet abre várias possibilidades, e a função do professor é orientar a forma de estudo dos alunos, assim como motiva-los. E como ensinar utilizando o computador de forma simples, direta e efetiva?


Segundo Carlan e colaboradores (2010), uma metodologia chamada “webquest” foi criada em 1982 por Dodge e March e consiste em uma investigação a ser cumprida por um grupo de alunos utilizando a internet. As atividades a serem propostas extrapolam o período de aulas. Para serem motivadoras, essas tarefas devem ser criativas e permitir que os alunos se sintam como se fossem cientistas e/ou artistas. Uma webquest é dividida em: introdução, tarefa, processo, avaliação e conclusão. Existe um site que permite a criação e o armazenamento de webquests (ver links abaixo).

Carlan e colaboradores (2010) decidiram montar uma webquest cujo tema fosse deficiente nos livros didáticos de Biologia do Ensino Médio em comparação com o conteúdo da internet. Escolheram o tema “ácidos nucléicos: composição, estruturas e funções” enfocando principalmente o DNA. Eles acreditam que os conteúdos dos livros não permitem uma correlação com outros assuntos da Genética e da Biologia Molecular. Além disso, na escola os ácidos nucléicos são estudados no primeiro ano e a Genética só é ensinada no terceiro ano do Ensino Médio, dificultando o entendimento e a correlação entre as matérias. E nos livros não há sugestões de experimentos ou observações sobre o tema. Já na internet, em muitos sites, o aluno pode interagir com o material, fazer experimentos, observar moléculas tridimensionalmente, e correlacionar o DNA à Biologia Molecular e à Genética (ver links abaixo).


Os objetivos do trabalho foram: verificar se essa webquest despertaria o interesse dos alunos; se haveria interação e troca de experiências entre alunos e professores durante as atividades; se seria possível juntar webquest a atividades experimentais; e se aprenderiam mais sobre o assunto que alunos que não realizaram as atividades.


A introdução foi apenas uma visão geral do conteúdo, assim como está presente nos livros. As tarefas foram a partir de instrução de buscas e questões diretas, utilizando links de sites cujo tema era o DNA, com figuras e animações. O processo consistiu no acesso a três sites indicados para a realização de experimentos que seriam realizados em casa (extração de DNA de morango utilizando materiais domésticos: álcool, sal e água).


Fig. 1. Extração de DNA do morango a partir de materiais domésticos


A avaliação foi o preenchimento de dois questionários. Um sobre o conteúdo, e apenas quem fizesse o experimento teria condições de respondê-lo. E o outro, no final, para responder livremente o que achou da utilização das webquests. A conclusão, ao invés de resumir todo o conteúdo, sugeriu a criação de uma molécula de DNA pela arte do origami. Durante a montagem, foi necessário associar informações e relembrar conteúdos estudados durante a webquest.


Os alunos participantes tinham entre 16 e 18 anos e foram voluntários fora do período de aulas. Percebeu-se a motivação, a colaboração e troca de saberes de alunos entre si e com o professor. Os alunos se focaram nas atividades não utilizando sites de relacionamento durante as atividades. O questionário aplicado sobre o conteúdo teve bons resultados para temas utilizados na webquest, e os alunos consideraram todas as atividades positivas. É possível utilizar a internet como uma aliada do professor no ensino. As webquests, juntamente com atividades práticas, são ótimas ferramentas para o ensino de Biologia de forma moderna, simples e criativa.


Referências bibliográficas:
CARLAN, F. A. SEPEL, L. M. N.; LORETO, E. L. S. Aplicação de uma webquest associada a atividades práticas e a avaliação de seus efeitos na motivação dos alunos no ensino de Biologia. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, Vol.9, Nº 1, 261-282 (2010).

domingo, 18 de abril de 2010

Professor Pesquisador

Ser professor nos dias atuais é mais do que um desafio é, sobretudo, ser um profissional dedicado à pesquisa, conhecedor das habilidades e competências exigidas para se enserir com competência nos moldes das exigênciasdo século XXI.
Ao professor não cabe mais a noção de só saber ensinar, mas a de compreender que ensinando também se aprende.
Nos dias atuais não há mais como conceber ser professor sem análise minuciosa do saber fazer, saber analisar, associar idéias em diferentes áreas do conhecimento ou ainda pesquisar a si mesmo, ser autocrítico.

Na verdade, falar em produção de conhecimento pelo professor no Brasil ainda é tabu. Em primeiro lugar porque as condições concretas de trabalho docente tornam-se extremamente impraticáveis as possibilidades de a pesquisa vir, a curto ou a médio prazo, a ser inserida no perfil profissional dos professores de ensino fundamental e médio.
Nas condições atuais pesquisar é um fardo praticamente impossível de se carregar.
No Brasil o movimento de aproximação entre trabalho docente e pesquisa adquiriu voz de várias maneiras:
  • a consideração da pesquisa como princípio científico e educativo.
  • a combinação de pesquisa e prática no trabalho e formação de professores.
  • a discussão do papel didático que pode ter a pesquisa na articulação entre saber e prática docente.
  • a ênfase na importância da pesquisa como instrumento de reflexão coletiva sobre a prática.
Algumas pesquisas indicam que o ponto mais forte de investigações realizadas por professores/as está na relevância, pois as questões se relacionam a problemas da sala de aula e da prática escolar. Porém, alguns trabalhos apresentam deficiências metodológicas significativas e, ainda, encontram-se poucas evidências para se sustentarem os resultados apresentados. Enfim, há controvérsias quanto à formação e ao trabalho do/a professor/a como investigador/a.
A prática da pesquisa pelo professor de Educação Básica no Brasil é cercada de dificuldades ressaltando-se dois problemas diferentes apesar de relacionados.
  1. deslocar o foco da reflexão do sucesso de suas iniciativas para um entendimento mais geral das condições de possibilidade de sua docência.
  2. conseguir manter esse novo olhar nas condições desfavoráveis do ensino público brasileiro.
A participação do professor em cursos de pós graduação, especialmente de mestrado, sobretudo pela necessidade de elaborar uma dissertação baseada numa pesquisa avaliada com critérios bastante rigorosos, auxilia o professor a entrar no mundo da pesquisa.
A ausência da referência à relação implícita do professor com os vários tipos de conhecimentos ( científicos, metodológicos, curricular e organizacional) torna muito mais precária qualquer análise da prática escolar.
Atualmente com a interação entre alguns professores de Escolas Públicas e alunos da Universidade através do PIBIDI, existe a possibilidade de uma observação e crítica da prática do professor, possibilitando uma possível transformação educacional.

Referências bibliográficas:
Ciências e Educação, vol.15, nº3, p.476, 2009.

sábado, 17 de abril de 2010

Pra que você usa a Internet? (Parte I)

Há não muito mais de 10 anos, quando o acesso à Internet (...lentamente...) começava a chegar às casas dos mais afortunados e os telefones celulares (muito maiores à época do que o nome parece sugerir) eram uma realidade cara e possível apenas nos grandes centros urbanos, era difícil imaginar o quanto os serviços envolvendo estas tecnologias iriam se desenvolver em tão poucos anos. O que hoje é trivial – comunidades gigantescas como Orkut, serviços de comunicação instantânea como MSN e Skype (com direito a som e vídeo!), recebimento de músicas, notícias e atualizações de sites via celular, jogos online envolvendo milhares de jogadores simultâneos, acesso a boa parte dos recursos da Internet por meio de smartphones, etc. – era pouco mais que algumas previsões ousadas de alguns especialistas em tecnologias de comunicação.

Tudo isto aconteceu muito rápido, deixando pouco tempo para as pessoas se adaptarem – ou, pelo que parece, a maioria delas. Esta sensação de mudança brusca não foi sentida, no entanto, por aqueles mais jovens que já cresceram no meio desta tecnologia. Estes não tiveram de aprender uma nova linguagem para a troca de informações – ela é sua linguagem natural. Marc Prensky, renomado consultor em educação e ensino, já em 2001, criou uma designação para estas pessoas, “nativos digitais”. A preocupação deste especialista na criação de jogos educativos é demonstrar, segundo suas próprias palavras, que “nossos estudantes mudaram radicalmente. Os estudantes de hoje não são mais as pessoas para as quais nosso sistema de ensino foi desenvolvido”. E, realmente, estes novos meios de comunicação fornecem possibilidades de interação com as informações e outras pessoas de forma quase aleatória, permitindo ao usuário total liberdade de escolha sobre o que, quando e como ele vai acessar. A escola, ao contrário, continua presa ao modelo antigo, onde seria o sistema escolar quem deteria todo o conhecimento e, sobretudo, a ordem e maneira como este conhecimento deveria ser transmitido. Pior – neste modelo ultrapassado, a opinião e necessidades individuais de cada aluno não contam e, desta forma, não são levados em consideração para se definir o conteúdo e a metodologia de aprendizagem.

Ora, vemos aqui duas realidades completamente diferentes que os estudantes encaram diariamente: fora da escola ele tem acesso à telefonia móvel, à Internet e mesmo à já velhinha televisão que, unidas, fornecem meios de acesso ao mundo extremamente dinâmicos, sonoros, coloridos e especialmente, interativos, permitindo ao usuário escolher o que ele quer ver e fazer; no outro lado, uma escola chata, com cadeiras desconfortáveis, um conteúdo estático e desinteressante, um quadro monocromático, professores mal pagos e insatisfeitos e a terrível obrigação do aluno de, na maior parte do tempo, se conformar apenas com o que a escola acha que ele deve aprender, além de cobrar a reprodução deste “aprendizado” o tempo todo. As consequências são óbvias e assistidas por todos, sempre: alunos também insatisfeitos, escolas sem saber o que fazer para “discipliná-los”, notas baixas e, o mais paradoxal dentro de um sistema de ensino, NINGUÉM APRENDE NADA. O que fazer, então? Acabar com a escola, já que os jovens teriam condição de, sozinhos, construir o próprio conhecimento da forma como achassem mais confortável e eficiente? Infelizmente não é tão simples assim.

Esta geração de nativos digitais não está sozinha. Há um mundo lá fora, não tão antigo quanto o mundo maravilhoso que estudam as ciências naturais, mas que também já existia bem antes deles chegarem aqui; um mundo de regras sociais e econômicas, de conflitos e, especialmente, de competições. Como sempre acontece em toda a história humana, quem chega por último herda um sistema bem estabelecido, geralmente desigual em condições e oportunidades e, na maioria das vezes, inflexível. Neste tempo em que vivemos, entretanto, aparentemente as oportunidades de escolha são um pouco maiores. Isto acontece porque o conhecimento, hoje, tem um valor particularmente grande, ao passo que há alta disponibilidade de tecnologias permitindo a troca de informações. Quem conhece mais, portanto, também tem mais opções; consequentemente, é mais livre e, sem dúvida, esta geração dos nativos digitais faz bastante uso das tecnologias que permitem isto. Resta saber se o uso que é feito delas é o tipo de uso que garantirá a liberdade de escolha para estes jovens, neste mundo.

Na segunda parte deste texto veremos o que os estudos em pesquisa do ensino apontam sobre a eficácia do uso destas tecnologias no aprendizado (e como elas têm sido usadas para isto) e, especialmente, o que pesquisas feitas ao redor do mundo descobriram sobre o uso que os jovens têm feito dela, de forma independente. Enquanto isto, participe da nossa enquete (no início da página): para que você usa a Internet?

Até breve.

Bibliografia

Digital Natives, Digital Immigrants; de Marc Prensky. MCB University Press, Vol. 9 No. 5, 2001.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Aprendizagem cooperativista


Como motivar os alunos dentro de sala? Vários são os métodos para tentar tornar as aulas mais interessantes e melhorar o aprendizado dos alunos. Embora isso não seja sempre alcançado, os professores utilizam dentro da sala de aula algumas alternativas como vídeos interativos, filmes, jogos e sugerem os famosos trabalhos em grupo ou em dupla. Como forma de motivar os alunos para tais atividades os professores avaliam os trabalhos em dupla, a participação do aluno nas atividades sugeridas e a disciplina. Pensando em avaliação, trabalhos em grupo seria uma boa forma de avaliar?

Segundo trabalhos de Schaal e colaboradores (2009) a aprendizagem cooperativista é mais eficiente do que a individual. Em análises sobre a aprendizagem de alunos trabalhando em duplas, as duplas homogêneas obtiveram melhores resultados na apredizagem do que as duplas heterogêneas.

As duplas homogêneas seriam alunos com rendimentos escolares parecidos. Por outro lado, as duplas heterogênias seriam formadas por um aluno com alto rendimento escolar e por outro aluno com menor rendimento escolar. A formação de duplas homogêneas possibilita aos alunos acompanhar e desenvolver as atividades propostas juntos.

Baseado nisso, quando é sugerido trabalhos em dupla sem nenhum critério de formação das duplas, a avaliação pode ser falha. Sendo que na dupla heterogênea a avaliação não será verdadeira. Schaal e colaboradores (2009) utilizaram a última nota e a habilidade oral do aluno para formação das duplas. Seria essa forma adequada para um melhor rendimento do aluno?

Assim, é possível perceber que existem lacunas sobre como avaliar os alunos e como deve ser realizada essa avaliação. Nota-se que métodos comuns e aceitos pelos alunos estão sendo falhos sendo assim necessário desenvolvimento de novas pesquisas e novos métodos avaliativos para que de fato ocorra a aprendizagem efetiva.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

SCHAAL, S.; BOGNER, X. F.; GIRWIDZ, R. Concept Mapping Assessment of Media Assisted Learning in Interdisciplinary Science Education. Res Sci Educ v.40, pp. 339–352, 2010.