domingo, 16 de maio de 2010

BLOGS COMO FERRAMENTA PARA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA




As informações digitais são novas ferramentas para facilitar o envolvimento do público geral nas discussões sobre ciência. Essa participação nas discussões científicas inclui criatividade científica individual, etnociência, conhecimento local e discurso público. A internet tem se tornado uma parte da comunicação científica e ainda não está claro como mídias como fóruns e blogs podem contribuir para os debates da ciência. As pessoas “leigas” podem por esse meio, não serem apenas agentes passivos (receptores) de assuntos científicos, mas podem contribuir com esses debates.

“Blog” é uma webpágina que facilita a comunicação informal entre o autor do blog e seus leitores. Os blogs sobre ciências são um potencial modelo de jornalismo científico e uma ótima ferramenta que pode ser utilizada por instituições acadêmicas para disseminar a informação acadêmica e facilitar a discussão sobre ciência e, ainda, para suprir o déficit de comunicação científica. Os blogs geralmente são comentários jornalísticos e estudantis ao invés de análises baseadas em pesquisa. Para envolver o público o blog precisa: informar leitores sobre notícias científicas, explicar de forma entendível para “leigos”, avaliar resultados de pesquisas já realizadas, articular posições sobre assuntos controversos.

Kouper (2010) fez um estudo sobre os blogs relacionados à ciência, pois não havia nenhum estudo sobre essa nova ferramenta. Devido à novidade da pesquisa, a avaliação dos blogs foi baseada nos participantes, fontes de blog, conteúdos dos tópicos e modos de participação. Foram amostrados da internet 11 blogs pela procura por “science blogs” e “blogs about science” e esses foram “seguidos” durante o verão de 2008 (por 30 dias os blogs menos ativos e por 5 dias muito ativos). O número de comentários amostrados foi limitado aos primeiros 15 comentários por tópico (ao todo, 174 tópicos globais e 1409 comentários dos 11 blogs foram analisados).

Os blogs de ciência cobriram uma variedade de assuntos e tópicos além de ciência. Entre os tópicos relacionados à ciência os tópicos freqüentemente mais cobertos eram evolução, saúde, e espaço. Sendo um gênero mais pessoal de comunicação, blogs permitem maior variabilidade de expressão, e os autores confiaram em sua experiência pessoal, notícias e comentários de outras mídias e documentos de pesquisas para escrevem os textos. Os autores do blogs de ciência examinados são relacionados de alguma forma à ciência: estudantes especialistas em alguma área, pesquisadores, professores de certas disciplinas (como Biologia e Física) e jornalistas científicos.

Uma das características dos blogs é o uso de exageros e generalizações. Os autores de blog usam esta técnica jornalística para chamar a atenção dos leitores, às vezes até de forma sensacionalista. Deste modo, as notícias ficam mais divertidas, contudo pode impedir que os leitores adquiram informações precisas e que formem sua própria opinião, sendo então difícil confiar nessa fonte de informação. A intenção de fazer algo compreensível para o público nem sempre pode alcançar o seu objtetivo e, além disso, há muitas opiniões emocionais e comentários insultantes em alguns blogs mais “polêmicos”.

Leitores de blogs de ciência também tiveram alguma relação com ciência. Eles são estudantes, pós-doutorandos, professores e investigadores de várias áreas científicas. A leitura de blogs e os comentários é uma necessidade para que esses adquiram notícias de várias áreas científicas e de haver diálogo com os autores.

O autor do estudo admite ter havido várias limitações na pesquisa. Devido ao número pequeno de posts e comentários, poderiam ter sido negligenciados certos modos importantes de participação. O papel de humor em comunicação de ciência e interpretação de coletivo de conhecimento também precisa ser examinado. E deve ser analisado também os leitores que apenas sequem os conteúdos, mas não postam comentários (lurkers). E conclui que, em relação aos blogs referentes à ciência, é necessário um esforço em comum de cientistas, jornalistas, pedagogos, e outros grupos de atores para repensar o papel de blog na promoção da participação na ciência. Blogs científicos devem propiciar a participação de pessoas não-cientistas, focalizar em modos explicativos, interpretativos e críticos ao invés de apenas informar e opinar.

Esse texto abre espaço para pensarmos e fazermos uma avaliação sobre o nosso blog. Qual o objetivo do blog “BIOPIBIDUFSJ”? Quem são os autores do blog? Quem são os leitores do blog? Quais são as formas de participação dos leitores?


Blogs pesquisados por KOUPER (2010):

scienceblogs.com/purepedantry

scienceblogs.com/drugmonkey

scienceblogs.com/scientificactivist

scienceblogs.com/pharyngula

www.wired.com/wiredscience

blog.bioethics.net

blogs.discovermagazine.com/cosmicvariance

www.pandasthump.org

scienceblog.com

www.microbiologybytes.com/blog

www.syntesis.cc


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KOUPER, I. Science blogs and public engagement with science: practices, challenges, and opportunities. Journal of Science Communication. 9(1), March 2010.





5 comentários:

  1. priscila fernandes17 de maio de 2010 20:35

    Fiquei pensando nas mesmas perguntas... porque esse blog é mantido? Percebi que, diferente do que o autor do artigo constata, o biopibid não abusa da linguagem jornalística. Isso é um problema? Será por isso que esse blog tem tão poucos comentários? Quem está seguindo seus posts?
    Não acredito que a linguagem do biopibid deva ser mudada. Talvez isso o diferencie do infinito universo dos blogs científicos. Mas é preciso (ou não?) compreender o alcance dos artigos postados, verificar suas potencialidades e suas limitações.

    ResponderExcluir
  2. Minha opinião: apesar da nossa dedicação coletiva nas postagens, acho que ainda é cedo para avaliarmos o papel que este blog está desempenhando do ponto de vista dos leitores. Nosso conteúdo dedicado à divulgação científica, mesmo já sendo relativamente grande, é muito novo, não tendo chegado ainda aos dois meses de vida, o que considero tempo insuficiente para haver muita movimentação de leitores e, especialmente, participação na forma de comentários. Vou tentar fundamentar essa opinião.

    A utilização de qualquer serviço baseado em web (ou simplesmente site) aumenta de acordo com uma retroalimentação positiva - acessos gerando mais acessos. Isto acontece porque, com o crescimento da rede, os sistemas de busca (como o Google) tiveram que desenvolver técnicas que permitissem que os resultados de uma busca fossem apresentados em ordem decrescente de relevância, ou seja, onde os endereços que provavelmente satisfarão o usuário se encontrem entre os primeiros da lista. Quanto mais relevantes os resultados para os usuários, mais popular é o sistema de busca que os gera. Mas como definir um conceito tão genérico de "relevância", uma vez que há infinitas categorias de conteúdo e, a princípio, o sistema de busca não tem como saber o que passa pela cabeça do usuário, a não ser pela(s) palavra(s) que ele digitou na caixinha de busca?

    Provavelmente o conjunto de algoritmos (regras) mais usado para se definir o grau de relevância de um site, atualmente, é o chamado PageRank. Ele segue o princípio básico de que, quanto mais pessoas estão interessadas naquele site, maior a probabilidade dele ter conteúdo relevante para outras. E ele avalia o "grau" de interesse "contando" quantas referências (links) àquele site existem em outros sites.

    Exemplo. Digamos que eu quero procurar por blogs de divulgação científica. Eu posso ir ao Google e digitar "blogs ciência", e ele vai me apresentar os resultados. O motivo destes sites aparecerem nos resultados é que todos eles possuem as palavras "blogs" e "ciência" escritas dentro deles. Mas o que define sua ordem? Não é incomum serem gerados milhares ou milhões (ou bilhões) de resultados. Como eles estão, teoricamente, em "ordem decrescente de relevância", o que cada um deles tem de "melhor" que todos os demais abaixo dele? Existem vários critérios, estabelecidos em forma de algoritmos, mas o principal é que, analisando-se todos os conteúdos de sites armazenados dentro dos bancos de dados daquele sistema de busca, o resultado de cima possui mais links remetendo a ele em outros sites do que os de baixo.

    (continua... limite do post alcançado :P)

    ResponderExcluir
  3. Quando este blog foi ao ar, seu endereço acabava de nascer, então era impossível que já existisse um link para ele em algum lugar. Consequentemente, seu grau de "relevância" (PageRank) era zero e, assim, para ele aparecer nos primeiros resultados de um sistema de busca, só procurando-se por algo bem peculiar a ele, que não tivesse em nenhum outro lugar, ou em poucos. À medida que as pessoas vão conhecendo o blog e colocando referências a ele em seus próprios sites, seu PageRank começa a subir, e, assim, começa a ficar à frente de outros sites nas buscas.

    Vou colocar aqui um exemplo de especificidade de busca, num teste que fiz agora. O Márlon postou um texto relacionado a migração de aves. Alguém que procure algo a respeito pode digitar, no Google, "migração aves", por exemplo. Os resultados certamente incluíram nosso blog lá, pois ele possui essas palavras escritas nele, mas fui até a 20a. página (200 primeiros resultados) e ele não estava lá. Ou seja, pelo menos 200 sites com estas palavras tem um PageRank maior que este blog. O interessante foi que, ao acrescentar a palavra "hemoparasitos" à busca, o nosso blog foi o PRIMEIRO a aparecer. Qualquer um que queira saber sobre a relação entre hemoparasitos e a migração de aves e procurar assim, no Google, terá este blog como primeiro resultado, hoje.

    Resumindo a estória, os acessos a qualquer site seguem um padrão exponencial. Ninguém conhece no começo mas, quanto mais gente visita, maior a quantidade eventual de links externos apontando para o nosso site, o que leva a uma maior visibilidade nos sistemas de busca e, consequentemente, maior visitação, retroalimentando positivamente o sistema. Nosso blog, em termos de conteúdo, acabou de nascer, e estamos presenciando os primeiros acessos, apenas, os quais gerarão uma visibilidade significativa só depois de algum tempo.

    O que, no entanto, costuma ser feito para acelerar este início do processo, que é lento, é colocar conteúdos que sejam MUITO interessantes para a maior parte das pessoas. Não sei até que ponto, contudo, a curva de interesses coletivos das pessoas cresce sem cruzar com a nossa.

    ResponderExcluir
  4. Abaixo, uma notícia bem recente (publicada ontem) sobre um novo sistema de indexação (armazenamento e organização) das páginas no banco de dados do Google, que permite a exibição de resultados bem mais atualizados nas pesquisas:

    http://www.guiadohardware.net/noticias/2010-06/google-caffeine.html

    ResponderExcluir
  5. EsTeR dE oLiVeIrA18 de julho de 2010 21:29

    QUERIDOS PIBIDIANOS

    Estou cansada de ler coisas científicas escritas por universitários, graduados ou coisa assim... quero a galera do ensino médio publicando no blog!!!

    Por que vocês não convidam alguns alunos para publicar no blog também? Talvez a professora Cássia pode propor um trabalho para um grupo de alunos... éles compõe matérias sobre o tema que quiserem, a cássia e vocês acompanham a elaboração do texto... e aí publicamos no blog! não vai ser lindo?!! quero saber o que eles gostam, como escrevem e o que pensam de ciência!

    Pibidianos... estão convocados!

    ResponderExcluir