segunda-feira, 26 de abril de 2010

Caixa, Conto e Ciências

"Um Conto, uma Caixa e a Paleontologia: uma maneira lúdica de ensinar Ciências a alunos com Deficiência Auditiva" é um trabalho feito por pesquisadores que se preocuparam com a relação do ensino de ciências para deficientes auditivos.

O Deficiente Auditivo é aquele que apresenta perda total ou parcial da capacidade de compreender a fala por meio da audição. Essa deficiência pode ser congênita (ocorre durante a gestação ou no parto) ou adquirida. A deficiência auditiva pode se manifestar como:
1-Leve ou Moderada: Apresenta maior capacidade de compreender alguns termos e até mesmo frases gramaticais complexas e podem adquirir a linguagem oral; 2-Severa ou Profunda: perda auditiva que impede o indivíduo de entender, com ou sem aparelho auditivo, a voz humana, bem como de adquirir o código da língua oral.

Em todas as correntes de ensino é enfatizado a importância de que as crianças com deficiência auditiva sejam precocemente diagnosticadas e inseridas em processos de educação para que possam desenvolver melhor o domínio linguístico e a capacidade de se expressar.

O ensino a este estudante acontece em classes especiais (geralmente instituições particulares), onde todos os alunos apresentam o mesmo grau de deficiência. Ou em instituições públicas, onde as turmas são mistas, visando a inclusão do aluno na sociedade. Historicamente, a educação do Deficiente Auditivo voltou-se mais ao desenvolvimento da comunicação do que à transmissão de conhecimentos e quando ocorre o ensino de Ciências é preferencialmente através da linguagem de sinais (LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais) associado à comunicação na língua brasileira (oral e leitura de textos).

Apesar de possuírem a capacidade de ler, os estudantes com deficiência auditiva acabam apresentando uma certa resistência à utilização de textos escritos, pelo fato de estarem menos acostumados a utilizarem o vocabulário da língua portuguesa no seu cotiano, o que dificulta a interpretação e compreensão de textos escritos. O ensino também se limita pela rara existência de materiais pedagógicos adaptados, tais como livros didáticos, materiais digitais e vídeos traduzidos para a LIBRAS.

Mário Dantas e Fernanda Mello desenvolveram um trabalho lúdico para transmitir e construir o conhecimento em ciências através de um conto. A estória  foi produzida e testada em uma escola para deficientes auditivos em Alagoas com alunos da terceira série (idade entre 14 a 20 anos) do Ensino fundamental. O conto versou conhecimentos básicos em paleontologia, sendo utilizados os fósseis locais encontrados na região em que a escola pertencia (Sergipe) e utilizou como recurso a caixa de contos, onde todos os personagens e ambientes ficaram guardados, sendo mostrados no decorrer da história. Nesse, os personagens (bonecos "Lego" e feitos de pano) eram um grupo de crianças ouvintes, uma garotinha chamada Ema (instrumento de identificação entre os alunos) e uma paleontóloga chamada Léa (responsável por passar as informações sobre Paleontologia).

A história começa quando Léa visita a escola em que Ema estuda. Eles são levados a um museu onde aprendem sobre fósseis com a exposição juntamente com as informações passadas por Léa. Então, no decorrer da aula no museu Ema começa a se imaginar encontrando estes animais na época em que eles existiam. O conto termina com Ema e seus colegas sendo convidados a relatarem sobre a visita ao museu e foi ministrado em metodologia bilíngue (LIBRAS e Português) a alunos da terceira série do fundamental. Dessa forma, os alunos aprenderam também conhecimentos de leitura e escrita na língua portuguesa.

No final, foi pedido aos alunos para que explicassem o que haviam compreendido, com o intuito de avaliar o aprendizado através do conto. Os resultados foram satisfatórios, pois observou-se que os conceitos de Paleontologia foram absorvidos. Os conhecimentos adquiridos são importantes por contribuir na geração e disseminação de conhecimento científicos. Estes são cruciais para entender os processos naturais e o ambiente que o indivíduo está inserido. Neste sentido, a Paleontologia, como ciência baseada na Biologia e Geologia, é indispensável, pois conscientiza sobre a importância de preservar e valorizar a vida, em suas variadas formas, além de permitir uma melhor compreensão acerca do surgimento e evolução da vida na Terra.

A forma lúdica se mostrou eficiente na transmissão e construção desse conhecimento necessário. Em um dos relatos um estudante explicou como ele pensava ser o dia de trabalho de um paleontólogo. A principal dificuldade deles foi a apropriação de palavras novas, tais como toxodonte, monossauro... por não fazerem parte do vocabulário deles. Além da importância do conhecimento científico, os resultados da pesquisa são extensíveis a qualquer tipo de estudante. O aprendizado através de metologias lúdicas é um meio eficiente de transmissão de conhecimento. Os autores chamam a atenção também sobra a importância da comunicação em LIBRAS:

"Em um mundo cada vez mais globalizado, a todo momento é reforçado na mídia a necessidade de se aprender novas línguas (e.g. Inglês, Espanhol), para que deste modo haja um maior intercâmbio de informações entre as culturas de diversos povos. Seguindo essa linha de raciocínio, deve-se considerar a língua de sinais como uma língua tão importante quanto às demais, pois seu aprendizado e prática ajudaria a quebrar pré-conceitos, e trazer para junto da sociedade uma classe que por anos foi marginalizada por ser diferente. A língua de sinais é uma língua natural, e própria dos deficientes auditivos, a sua utilização não os torna seres inferiores."

Referências:

- Mário André Trindade Dantas & Fernanda Torello de Mello. Um Conto, uma Caixa e a Paleontologia: uma maneira lúdica de ensinar Ciências a alunos com Deficiência Auditiva. Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias, pag. 51-57. 01.2009

- portal.mec.gov.br

A interferência humana no planeta: DEGRADAÇÃO X SUSTENTABILIDADE

O homem teve como pressuposto do seu sucesso no planeta,o desenvolvimento de uma complexa organização social combinada com ampla aquisição de materiais e conhecimentos para alterar a natureza circundante a seu favor. Assim se deu a ascensão da espécie humana,que se espalhou por todo o globo,conquistando os mais diversificados lugares e ecossistemas,utilizando como maior instrumento de adaptação, sua inteligência e capacidade de apreender e transmitir informações. Permanecemos de certa forma, durante milênios e milênios da história da humanidade, simbiontes aos ambientes terrestres, utilizando de sua capacidade de auto-regeneração e nossa capacidade de nos deslocar para garantir a disponibilidade de alimentação_ tal como ainda se nota em comunidades tradicionais contemporâneas, que tem claro para si, a visão de auto-preservação ligada a noção de preservação ambiental_. Acontece que ouve um tremendo divisor de águas nesse processo, a revolução industrial (1750) e o conseguinte desenvolvimento do capitalismo, que culminou com o avanço vertiginoso de tecnologias que ofereceram ao homem possibilidades nunca vistas antes e ampliou vastamente sua capacidade de intervenção na natureza, seu conhecimento e domínio. Até a alguns século atrás, a civilização moderna, urbanizada e sem um vínculo tradicional com a terra, ainda se comportava como se os recursos naturais fosses todos renováveis e inesgotáveis, e ainda hoje, a agroindústria monocultora extensiva, a pecuária intensiva ou as multinacionais, movidas pelo capital e que exploram os mais diversos recursos em nível mundial, ainda agem como se afetassem a natureza com o mesmo impacto que pequenos agricultores,criadores de animais, pescadores, coletores e comerciantes. O que vemos agora como consequência desse posicionamento, é o total colapso de enormes ecossistemas via ações antrópicas predatórias indiscriminadas, que ainda prosseguem desenfreadas apesar de todo o nosso atual conhecimento biológico,ecológico,climático,físico,etc. e que nos permite perceber muitas de suas consequências a já se expressarem e antever as prováveis futuras, a surgir catastróficos caso não haja nenhuma imediata mudança nessas estruturas.

Estudos alertam para as principais consequências atuais da operação humana no planeta:

Mudança climática
A concentração de carbono na forma principal de CO2 na atmosfera,devidos principalmente pela queima de combustíveis fósseis,promove o efeito estufa na terra, ao alterar a composição da atmosfera e interferir nos sistemas de refração e reflexão do calor.
Acidificação oceânica
Consequência de todos os despojos orgânicos humanos escoados para o oceano, que na forma de carbonatos, contribuem para a redução do Ph da água e a alteração da estabilidade abiótica do sistema.

Camada de Oxônio
Alguns dos muitos químicos lançados na atmosfera podem reagir com a camada de oxônio (o3) e altera o nível de permeabilidade da estratosfera da terra aos raios ultra-violeta solares. A camada é reduzida nessas reações e mais radiação UV chega até a litosfera.

Ciclo biogeoquímico do Nitrogênio
Aumento acumulativo da quantidade de nitrogênio presente no ciclo da matéria graças as quantidades extras de N incorporadas pela amônia produzida e lançada na atmosfera pelas indústrias e regiões criadoras de gado, pelos fertilizantes artificiais, pela queima de biomassa e de combustíveis fósseis.
_ Ciclo biogeoquímico do Fósforo
Maior concentração de fósforo disponível no ciclo da matéria dos ecossistemas, ele está presente nos detergentes domésticos, em dejetos industriais e é carreado do solo para os cursos d'água em regiões desmatadas e/ou erodidas.
Ambos desestabilizam condições abióticas de ecossistemas terrícolas e aquáticos, estão envolvidos na formação da chuva ácida e na saturação oceânica desses compostos.

Taxa de perda de biodiversidade
Aumento da taxa de extinção de espécies graças a ação antrópica direta na destruição de ecossistemas, introdução de espécies exóticas e mudanças climáticas afetando a diversidade ecológica em diversas regiões.
Uso de água potável
Alterações dos ciclo hidrológicos e comprometimento de sua disponibilidade e acessibilidade futura. Desvio dos cursos de água para irrigação, construção de barragens, navegação, canalizações e redes de esgoto que consequentemente modifica a taxa de evaporação, velocidade de escoamento, constituição da aguá e taxa de acúmulo no subterrâneo.
Outros
-Poluição química de ambientes terrestres e aquáticos com compostos radioativos,metais pesados,produtos tóxicos e outros dejetos humanos.
-Carregamento de aerossóis_partículas solidas ou líquidas dispersas no ar_produzidos pelas mais diversas atividades humanas e que se concentram na atmosfera.
-Alteração da superfície e da cobertura dos solos. A transformação de florestas e outras vegetações em campos e pastagens, exposição da superfície a ação das chuvas, possivel empobrecimento dos solos, redução da biodiversidade e alterações no sistema climático e hidrológico.

Dados recentes de pesquisas que buscam entender os processos complexos terrestres e estabelecer os possíveis limiares dum espaço seguro de operação para a humanidade, revelam que já ultrapassamos ao menos 3 fatores de risco a sustentabilidade de nossas sociedades: A alteração no ciclo do Nitrogênio, taxa de perda de biodiversidade e alterações nas condições climáticas. As respostas a essa desestabilização ecossistêmica global são infindáveis, muito complexas e particularmente intricadas: Efeito estufa e derretimento de calotas polares,elevação do oceano,alteração das monções climáticas que se tornam imprevisíveis e perigosas,podendo até causar a desertificação de áreas e a inundação de outras; A super-nitração de solos juntamente com o acúmulo de fósforo é prejudicial para diversas espécies da flora de certas região em detrimento de outras dado as diferenciadas sensibilidades desses vegetais a concentração dos nutrientes; favorece a eutrofização de cursos d'água, seu provável turvamento e conseguinte comprometimento de toda biota natural aquática,podendo causar o esgotamento de espécies fundamentais na alimentação de populações inteiras e comprometimento da vida nos recifes de corais; A destruição da camada de ozônio e a concentrações de aerossóis no ar atmosférico que podem significar graves riscos a saúde humana,aumentando a ocorrência de diversos tipos de câncer, principalmente de pele e relacionados as vias respiratórias, e outros tantos males que podem ser responsáveis por mais de 6,4 milhões de mortes por ano segundo pesquisas...

Se seguíssemos uma politica de precaução, priorizaríamos nos manter fora dessa margem de risco, assegurando não ultrapassar esses limiares que alteram tanto os padrões naturais dos ecossistemas, que podem desencadear reações com uma rapidez que não conseguiremos nos adaptar e seremos muito drasticamente afetados. As perdas ambientais são in-quantizáveis, e ainda carecemos muito de pesquisas nas áreas que nos revelem outras consequências a médio e longo prazo, para essas interferências. As informações que detemos bastam como ponto de partida para uma mudança de postura do homem para com a natureza, é necessário novos modelos que respeitem os riscos e as incertezas, que prezem a harmonia com o meio-ambiente e utilizem da maneira mais sustentável os recursos, com consciência dos limites de sua capacidade inata de auto-reparação. Coloquemos em prática todo o nosso conhecimento acumulados e nos reorganizemos para reparar os erros cometidos, realinhemos na tentativa de tanger verdades mais universais. Ainda podemos ser positivos e acreditar que no reentrelaçamento dos homens, dorme o seu próprio resgate. Jamais nos desvincularemos da terra como dela dependentes, a Terra é o nosso grande lar, e suas criaturas, os terráqueos a dividem conosco. Refaçamos essa conexão, comuniquemos, fecundemo-nos uns aos outros. Se pensarmos a partir da sabedoria popular e considerarmos o ditado: "tudo o que vai, volta"; o que recebemos de volta pelo desequilíbrios e danos que nós temos causado a todos esses organismos? E ainda, se pensarmos em outro que diz: "o que se colhe é o que se planta".O que seriam então,as vindouras safras da humanidade? Fica ai a pergunta.





Referências:

>Planetary Boundaries: Exploring the Safe Operating Space for Humanity/Johan Rockström , Will Steffen , Kevin Noone , Åsa Persson , F. Stuart III Chapin , Eric Lambin , Timothy M. Lenton , Marten Scheffer , Carl Folke , Hans Joachim Schellnhuber , Björn Nykvist , Cynthia A. de Wit , Terry Hughes , Sander van der Leeuw , Henning Rodhe , Sverker Sörlin , Peter K. Snyder , Robert Costanza , Uno Svedin , Malin Falkenmark , Louise Karlberg , Robert W. Corell , Victoria J. Fabry , James Hansen , Brian Walker , Diana Liverman , Katherine Richardson , Paul Crutzen and Jonathan Foley .Ecology and Society - 2009.

>SABERES tradicionais e biodiversidade no Brasil/organizado por Antonio Carlos Diegues e Rinaldo S.V. Arruda. - Brasília: Ministério do Meio Ambiente; São Paulo: USP, 2001

>Earthlings. Direção/Produção: Shaun Monson.Documentário.USA:95 min

>Entrevista a Claude Levi strauss .Pierre Beuchot.Canal Arte-2004

>Begon, Michel - Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. Michael Bergon,Colin R. Townsend e john L. Harper.Porto Alegre,Artmed.4ª edição - 2008








sábado, 24 de abril de 2010

Comportamento social

Uma sociedade é um grupo de indivíduos pertencentes á mesma espécie e organizados de modo cooperativo. Numa sociedade, estímulos recíprocos entre membros do grupo servem para manter o grupo unido. Essas trocas de estímulos, que são formas de comunicação, representam no que se define como comportamento social. Vários grupos de animais vivem em sociedade como os insetos (abelhas, formigas, cupins), as aves em geral e os vertebrados (veados, lobos). A semelhança entre as sociedades animais baseiam-se na unidade familiar: o modo pelo qual, ao longo de milênios, a relação mãe-ovo produziu, aos poucos, um grande grupo intimamente unido.

A sociedade de vertebrados como qualquer outra sociedade apresenta vantagens e desvantagens. Algumas vantagens como a proteção contra predadores; diluição e cobertura; seleção do parceiro de acasalamento; aquecimento; otimização da busca por alimento; vantagem hidrodinâmica em peixes; e algumas desvantagens como o recurso alimentar escasso; aumento da evidência em relação a predadores; risco de infidelidade, risco de predação dos jovens; aumento da vulnerabilidade a parasitas e patógenos podem ser observadas nos grupos de animais.

Segundo estudos de Jennings e colaboradores com um grupo de veados houve uma diferença na duração de luta em relação a idades dos machos do grupo. Machos mais velhos lutaram por menos tempo que machos mais novos. Os machos mais novos tem como função no grupo defender contra predadores e buscar alimentos, já os mais velhos tem como função a reprodução.
Em relação as aves, a territorialidade é um comportamento realizado por indivíduos, grupos ou casais para defender uma área contra intrusos da mesma espécie. A territorialidade nas aves pode ser manifestado, por exemplo, através do canto na primavera dos machos que serve para manter afastados os outros machos da mesma espécie do seu território. Em estudos com Anseranas semipalmata, os machos que não conseguem assegurar um território não são capazes de reproduzir. Embora os limites dos territórios possam ser invisíveis, a defesa territorial acontece e os territórios são claramente definidos e reconhecidos pelo dono. Entre os donos de territórios, a ostentação, a pose, a marcação pelo cheiro, o canto e outras formas de chamado geralmente bastam para afastar os intrusos, que se encontram em grande desvantagem psicológica.

Dentre as sociedades de insetos, é importantes lembrar que nem sempre as abelhas vivem em sociedade. Entre as espécies de abelhas temos as solitárias, as subsociais, os bombídeos (estágio seguinte ao subsocial) e as eusociais. Existe uma hierarquia nas sociedades de abelhas. As castas são as operárias, a rainha e o zangão. Em relação as formigas, todas as formigas são eusociais. As formigas legionárias são predadoras e vivem quase exclusivamente de artrópodes, são nômades e apresentam ninho temporário que seria um agregado cilíndrico de formigas enganchadas uma na outra que se desmancha a cada aurora. As sociedades mais antigas do mundo são as das térmitas (cupins) que são organizadas em um sistema de castas onde os indivíduos diferem no tamanho e na forma. As duas maiores castas são os soldados, que defendem a comunidade, e as operárias que cuidam do casal real e de todas as castas. A outra casta é formada pelo casal real, rainha e rei. Os princípios de organização da sociedade de insetos diferem dos humanos pela reprodução ser realizada somente por poucos indivíduos e pelo reconhecimento dos membros ser totalmente baseado em sinais químicos ou outros, sem reconhecimento pessoal dos membros.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://professoracaroline.blogspot.com/2007/08/relaes-entre-os-seres-vivos.html

http://www.radio.usp.br/

KREBS, J. R.; DAVIES, N. B. Introdução à Ecologia Comportamental. São Paulo: Atheneu Editora, 1996

JENNINGS. J. D.; CARLIN, M. C.; HAYDEN. J. T.; GAMMELL, P. M. Investment in fighting in relation to body condition, age and dominance rank in the male fallow deer, Dama dama Animal Behaviour pp.1-8, 2010.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O poder dos “videogames” no processo de aprendizagem

Uma das mídias ou formas de comunicação mais presente no mundo atual são os “videogames”, afinal de contas, eles proporcionam prazer, descontração, e abrem uma enorme janela para a imaginação. Além disso, eles podem ser considerados como dispositivo cultural que fornece competências especiais para o processo de aprendizagem ou educação.

Os "videogames" são formas de comunicação audiovisual que permitem que tomemos decisões em seu desenvolvimento, ou seja, que interagimos com ele. Um jogo que fornece competências especiais para a educação deve apresentar: desafio, curiosidade e fantasia. Estes fomentam a reflexão, a concentração e o raciocínio estratégico. Eles estão relacionados ao desenvolvimento geral de alguns tipos de reflexos e aumentam assim os níveis de agilidade mental.

Segundo Jerome Bruner o desenvolvimento cognitivo é tanto mais rápido quanto melhor for o acesso da pessoa a um meio cultural rico e estimulante, e neste aspecto o videogame tem grandes atributos. Segundo muitos estudos os jogos virtuais estimulam a capacidade de manipular dados e aplica-los de maneira versátil em contextos e situações concretas na nossa sociedade contemporânea, mesmo que estas passem por constantes mudanças.

Esses meios de interatividade permitem que os estudantes incorporem de maneira cômoda e natural o mundo da informática e dos computadores, e as utilizem também para a educação.

Muitos pais e educadores dizem que o uso destes jogos tanto anula a personalidade dos adolescentes, quanto os fazem confundir realidade de ficção. Também questionam os conteúdos violentos. Entretanto estudos mostram que não há efeitos negativos que se confirmem pelo uso de “videogames”, ou se estes causam aberrações no comportamento infantil. O risco que se tem, é quando o seu uso é intenso, isso impede a dedicação a outras atividades sociais, como a atividades ao ar livre, prática de esportes e afeição à leitura. Essa tendência de nossas sociedades ao individualismo não tem precedentes ao uso de jogos. Pelo contrário, esta mídia, na maioria das vezes, age como objeto de socialização, fomentando a interação de grupos para compartilhar estratégias e táticas.

Mas é essencial conhecer os tipos de jogos que seus filhos ou alunos estão jogando, e uma forma de discernir sobre o conteúdo e faixa etária destes jogos, é utilizando alguns sistemas de classificação que podem ser acessados pela internet, como: o ESRB (Entertainment Software Rating Board) ou PEGI (Pan European Game information), estes sistemas analisam os melhores jogos que podem ser adotados para grupos de diferentes idades. Além disso, conhecer os diferentes tipos de jogos ampliam uma diversidades de possibilidades educativas que podem ser utilizadas para o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas com a representação dinâmica do espaço dentro da aprendizagem como reflexão, pensamento estratégico, e agilidade mental.

Foram citadas algumas categorias de jogos e sua ação cognitiva e social. Entre elas se encontram:
Jogos de ação: propõe ao jogador uma resposta rápida, precisa e determinada. Alguns exemplos são citados, como Space Invaders, Tekken, Mortal Kombat e os mais jogados atualmente são, entre outros, Doom, Quake, Halo, Call of Duty.

Jogos de estratégia: trabalha o desenvolvimento de pensamento lógico e resoluções de problemas. Civilization IV – Age of Empires e Starcraft são os mais jogados, sendo este último utilizado em cursos da Universidade Berkeley na Califórnia, objetivando a ajudar os alunos a entender estratégias bélicas através de ferramentas de cálculo como as equações diferenciais. Rise of Nations é fonte de vários estudos, e o que se tem concluído é que ele pode ajudar a melhorar a velocidade e habilidade de realizar tarefas, melhorar a capacidade de raciocínio e memória aplicada a resoluções das mesmas.

Jogos de aventura: produzem uma alta interatividade, pois necessitam que decisões sejam tomadas constantemente. O King Quest, The Saret of Monkey Island e Indiana Jones são os exemplos citados no texto.

Jogos Esportivos: o futebol e o basquete são os mais jogados, com o aperfeiçoamento tecnológico destas mídias, hoje este tipo de jogo não se resume em apenas realizar uma partida ou fazer gols, os jogos atuais permitem que se preveja o futuro dos jogadores, como contratações ou vendas de passes, ou mesmo a montagem do time, entre outras coisas. Isto também incentiva o raciocínio, a organização de táticas e planejamento.

Jogos de simulação: o My Eco Planet é um jogo recente, produzido pela Ubisoft. Ele foi muito elogiado pelo secretário geral da ONG WWF, Juan Carlos, o qual disse em uma apresentação que estes jogos são uma grande iniciativa, pois agem como uma ligação eficaz entre crianças e adolescentes, de forma a promover o entendimento e amor pela natureza, além do consumo responsável e o respeito pelos animais.

Jogos de interpretação de papéis ou personagens: estes jogos estimulam o desenvolvimento do cálculo mental, o vocabulário, a criatividade, bem como certas atitudes e valores de socialização, como empatia, tolerância, responsabilidade e trabalho em equipe. Este jogo depende da evolução do personagem para, por exemplo, desvendar enigmas como o Final Fantasy. Mas os mais jogados atualmente são: MMORPG (Massive Multiplay Online Role Playing Game), WOW (World of Warcraft), Innov8 entre outros listados.

A Fundação Americana de Cientistas (FAS) defende que para as novas gerações, essas ferramentas serão imprescindíveis e cem por cento efetivas. Os jogos e simulações audiovisuais serão objetos utilizados para preparar os trabalhadores do século XXI.

Portanto envolver nessa experiência com as crianças e adolescentes se faz necessária, tanto para se sociabilizar com o meio cultural em que eles estão envolvidos, quanto para propor jogos que desenvolvam essas habilidades especiais, e assim os ajudem na aprendizagem em sala de aula.

Bibliografia:

ANA SEDENO. Videojuegos como dispositivos culturales: las competências espaciales en educación. Comunicar, n° 34, v. XVII, 2010, páginas 183-189.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUEIMADAS


Ultimamente, as queimadas estão ocorrendo em todas as partes do mundo. E por isso têm causado grande preocupação e despertado grande interesse de conter esse problema.

No Brasil é muito comum a ocorrência de queimadas principalmente entre os meses de Junho a Novembro quando o clima torna-se seco. Mas existem vários fatores que contribuem com as queimadas como os fatores climáticos (vento e calor) e pelo uso indiscriminado do solo. E isso pode causar sérios prejuízos para a fauna e flora da região afetada, reduzindo a cobertura vegetal, a fertilidade do solo e causando vários tipos de doenças.

Em épocas do ano com baixa umidade do ar, como no inverno, a propensão de incêndios florestais aumenta consideravelmente, visto que o ar mais seco faz com que os vegetais transpirem mais. Como também nessa estação ocorre uma deficiência do índice pluviométrico, há uma dificuldade da planta retirar umidade do solo, assim, eles tornam-se mais secos formando maior quantidade de material combustível. A baixa umidade também favorece uma maior atuação da radiação solar sobre a superfície devido a um déficit de nebulosidade e assim, eleva a temperatura do ar, ajudando na propensão de ocorrência de incêndios.

Nas áreas rurais, é muito comum atear fogo no solo para fins diversos na agropecuária, na renovação de áreas de pastagem, na remoção de material acumulado, no preparo do corte manual em plantações de cana-de-açúcar dentre outros. Essa prática tem causado grandes prejuízos para o meio ambiente, pois diminui a fertilidade dos solos, tornando as lavouras menos produtivas; pode acabar com a biodiversidade, matando plantas e animais, fragilizando o ecossistema. Além disso, há uma intensa produção de gases nocivos que causam mudanças na atmosfera e no clima do planeta, além de produzir muita fumaça causando uma poluição do ar.

Já nas cidades, as queimadas geralmente ocorrem de forma criminosa ou acidental, como pessoas que jogam bitucas de cigarro nas estradas ou em terrenos baldios. As chamas podem espalhar-se causando danos ao meio ambiente e até às redes elétrica e telefônica. A fumaça e a fuligem podem provocar várias doenças respiratórias, pois diminuem a qualidade do ar.

De acordo com Torres, F.T.P. e para entender melhor, o fogo envolve três elementos básicos: combustível, oxigênio e calor. Em qualquer incêndio florestal é necessário haver combustível para queimar, oxigênio para manter as chamas e calor para iniciar e continuar o processo de queima.

Um incêndio florestal superficial sempre começa através de um pequeno foco (fósforo aceso, toco de cigarro, fagulha, pequena fogueira, etc.), e inicialmente tende a se propagar para todos os lados, de forma aproximadamente circular, tendo em um segundo estágio sua forma alterada pela ação do vento e da topografia. Assim, vários fatores afetam e influem na propagação dos incêndios, entre eles: o material combustível, a umidade deste material, as condições climáticas; a topografia e o tipo de vegetação, como mostram na figura.


Existem meios de como fazer uma queimada controlada, para isso, é necessário buscar informações técnicas, de manejo sem causar prejuízos. Então como posso prevenir as grandes queimadas??? O dono do terreno poderia fazer aceiros – barreiras que impedem a propagação das chamas, que pode ser feito em forma de vala ou limpeza do terreno de modo a obstruir a passagem do fogo ou quando formos a um acampamento, devemos apagar com água o resto do fogo para evitar que o vento leve as brasas para a mata e em visita a parques ecológicos, não devemos usar fogos sem algum conhecimento. Também, quando tivermos na estrada, não devemos jogar pontas de cigarro acesas próxima a qualquer tipo de vegetação.


O fogo mata e causa grandes destruições no meio ambiente. Por isso devemos ficar atentos a qualquer foco de incêndio principalmente nas épocas de pouca umidade do ar.






Referencias bibliográficas:

R.A. Bradstock, A biogeographic model of fire regimes in Australia: current and future implications.-Global Ecology and Biogeography, (Global Ecol. Biogeogr.) (2010) 19, 145–158


TORRES, F.T.P.; Relações entre fatores climáticos e ocorrências de incêndios florestais na cidade de Juiz de Fora (MG) Caminhos de Geografia 7 (18) 162 - 171, jun/2006

Sites disponíveis:


http://secom.to.gov.br/noticia/queimadas-podem-prejudicar-o-meio-ambiente-e-a-saude-humana/26665

http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./florestal/index.html&conteudo=./florestal/artigos/queimada.html

terça-feira, 20 de abril de 2010

A utilização de "webquests" para o ensino de Genética e Biologia Molecular



A Biologia Molecular é uma das áreas das Ciências Biológicas que mais vem crescendo e gerando grande quantidade de novas informações, as quais a escola não consegue acompanhar. Uma grande aliada da Biologia Molecular é a internet. Para que haja um efetivo aprendizado, deve haver uma interação planejada entre práticas didáticas e a utilização do computador.


Sabemos que já existem laboratórios de informática nas escolas públicas do Brasil, mas eles, por si sós, não garantem a aprendizagem. Os computadores e a internet devem ser utilizados de forma a maximizar as possibilidades de aprendizado do aluno. É indispensável também um treinamento dos professores, além do incentivo para realizar novas atividades e não ficar apenas presos ao quadro e ao giz. A internet abre várias possibilidades, e a função do professor é orientar a forma de estudo dos alunos, assim como motiva-los. E como ensinar utilizando o computador de forma simples, direta e efetiva?


Segundo Carlan e colaboradores (2010), uma metodologia chamada “webquest” foi criada em 1982 por Dodge e March e consiste em uma investigação a ser cumprida por um grupo de alunos utilizando a internet. As atividades a serem propostas extrapolam o período de aulas. Para serem motivadoras, essas tarefas devem ser criativas e permitir que os alunos se sintam como se fossem cientistas e/ou artistas. Uma webquest é dividida em: introdução, tarefa, processo, avaliação e conclusão. Existe um site que permite a criação e o armazenamento de webquests (ver links abaixo).

Carlan e colaboradores (2010) decidiram montar uma webquest cujo tema fosse deficiente nos livros didáticos de Biologia do Ensino Médio em comparação com o conteúdo da internet. Escolheram o tema “ácidos nucléicos: composição, estruturas e funções” enfocando principalmente o DNA. Eles acreditam que os conteúdos dos livros não permitem uma correlação com outros assuntos da Genética e da Biologia Molecular. Além disso, na escola os ácidos nucléicos são estudados no primeiro ano e a Genética só é ensinada no terceiro ano do Ensino Médio, dificultando o entendimento e a correlação entre as matérias. E nos livros não há sugestões de experimentos ou observações sobre o tema. Já na internet, em muitos sites, o aluno pode interagir com o material, fazer experimentos, observar moléculas tridimensionalmente, e correlacionar o DNA à Biologia Molecular e à Genética (ver links abaixo).


Os objetivos do trabalho foram: verificar se essa webquest despertaria o interesse dos alunos; se haveria interação e troca de experiências entre alunos e professores durante as atividades; se seria possível juntar webquest a atividades experimentais; e se aprenderiam mais sobre o assunto que alunos que não realizaram as atividades.


A introdução foi apenas uma visão geral do conteúdo, assim como está presente nos livros. As tarefas foram a partir de instrução de buscas e questões diretas, utilizando links de sites cujo tema era o DNA, com figuras e animações. O processo consistiu no acesso a três sites indicados para a realização de experimentos que seriam realizados em casa (extração de DNA de morango utilizando materiais domésticos: álcool, sal e água).


Fig. 1. Extração de DNA do morango a partir de materiais domésticos


A avaliação foi o preenchimento de dois questionários. Um sobre o conteúdo, e apenas quem fizesse o experimento teria condições de respondê-lo. E o outro, no final, para responder livremente o que achou da utilização das webquests. A conclusão, ao invés de resumir todo o conteúdo, sugeriu a criação de uma molécula de DNA pela arte do origami. Durante a montagem, foi necessário associar informações e relembrar conteúdos estudados durante a webquest.


Os alunos participantes tinham entre 16 e 18 anos e foram voluntários fora do período de aulas. Percebeu-se a motivação, a colaboração e troca de saberes de alunos entre si e com o professor. Os alunos se focaram nas atividades não utilizando sites de relacionamento durante as atividades. O questionário aplicado sobre o conteúdo teve bons resultados para temas utilizados na webquest, e os alunos consideraram todas as atividades positivas. É possível utilizar a internet como uma aliada do professor no ensino. As webquests, juntamente com atividades práticas, são ótimas ferramentas para o ensino de Biologia de forma moderna, simples e criativa.


Referências bibliográficas:
CARLAN, F. A. SEPEL, L. M. N.; LORETO, E. L. S. Aplicação de uma webquest associada a atividades práticas e a avaliação de seus efeitos na motivação dos alunos no ensino de Biologia. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, Vol.9, Nº 1, 261-282 (2010).

Mais um elo na origem da espécie humana

A Paleontologia (do grego: palaiós = antigo / óntos = ser / lógos = estudo) é a ciência natural que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registro geológico, isto é, a formação dos fósseis. Recentemente foi descoberto o fóssil* do que parece ser o ancestral mais recente do gênero Homo no qual se encontra a espécie humana (Homo sapiens).

O Australopithecus sediba, como foi denominado, foi encontrado na África do Sul (país situado no extremo sul do continente africano) em uma reserva natural privada, na caverna Malapa, região situada a cerca de 40 Km de Joanesburgo. O nome Australopithecus, em latim significa: australis "do sul", e do Grego pithekos "macaco", ou seja, Macaco do Sul. Geralmente denominados dessa maneira espécies ancestrais quase tão bípedes quanto os chimpanzés. Já a palavra sediba vem da liguagem Sotho, falada dentre suas variáveis por cerca de 16% da população da África do Sul, onde quer dizer fonte (em sotho - sediba = fonte).

O primeiro fóssil, uma clavícula do Australopithecus sediba, foi encontrado, por acaso, no dia 15 de agosto de 2008 por Matthew Berger (9 anos), filho do pesquisador sul africano Lee Berger. O menino alertou o pai que juntamente com a equipe dirigida pelo paleoantropólogo suíço Peter Schmid da Universidade de Zurique, que já trabalhava há anos em outros sítios na região, começaram a fazer as escavações no local. Segundo Schmid rapidamente ficou claro para o grupo que os fósseis encontrados se tratavam de algo novo, devido as inúmeras características apresentadas. Até então, já foram encontrados mais de 180 elementos de pelo menos quatro indivíduos de um ancestral do ser humano que viveu entre 1,78 e 1,95 milhão de anos. Dois desses indivíduos – um jovem de cerca de 13 anos e uma mulher adulta de aproximadamente 30 anos – foram descritos por Schmid, Berger e colaboradores.

Os Australopithecus sediba possuíam um cérebro muito pequeno e braços muito longos, próprios dos australopitecos, mãos curtas, um rosto muito avançado, com um nariz e dentes pequenos, um quadril para caminhar erguido, pernas longas e uma cavidade craniana similar à de hominídeos muito posteriores como o Homo erectus e o Homo habilis, com capacidade de cerca de 450cc muito inferior a dos homens atuais que, em média é de 1500 cc.

O A. sediba compartilha mais traços com os primeiros Homo do que qualquer outro australopiteco e por isso pode ser seu antecessor ou parente de um antecessor que coexistiu durante um tempo com o Homo. A partir de agora, segundo Schmid, não pode-se chamar 'Lucy', (fóssil encontrado na Etiópia em 1974) de elo perdido entre macacos e seres humanos. "A nova descoberta é um elo real na cadeia entre Lucy e o homem moderno. Pode ser uma verdadeira chave para entender o precursor do gênero Homo."

Os fósseis encontrados do A. sediba fornecem, com riqueza de características, dados fundamentais para a descrição dos hábitos das espécie dentre outras características. Nos fósseis foram encontrados restos vegetais ainda encrustrados entre os ossos e um dente fossilizado ainda continha restos de comida, ou seja, os achados estão em um nível de conservação muito bom. Exames preliminares detectaram a existência de tecido cerebral degenerado por bactérias em uma área de baixa densidade do crânio, o que pode evidenciar a existência de um remanescente de cérebro primitivo.

Nesse imenso quebra cabeça que envolve as origens da espécie humana, mais uma peça foi encontrada, ainda é cedo para dizer onde ela se encaixa, até porque faltam algumas peças ainda para dar maior sentido a figura montada, o fato é que mais um passo importante foi dado na explicação da origem da raça humana.

*Fóssil - restos de seres vivos ou vestígios de atividades biológicas (ovos, pegadas, etc.) preservados nos sistemas naturais.

Referências Bibliográficas:

Berger L. R, de Ruiter D. J, Churchill S. E, Schmid P, Carlson K. J, Dirks P. H. G. M, Kibii J. M, (2010). "Australopithecus sediba: A New Species of Homo-like Australopth from South Africa ". Science 328: 195-2004. DOI:10.1126/science.1184944

segunda-feira, 19 de abril de 2010

MALÁRIA: UMA AMEAÇA NÃO SÓ PARA HUMANOS

Na escola sempre estudamos sobre parasitismo, uma relação que desencadeia numerosas doenças nos hospedeiros (indivíduos pasasitados). O parasitismo ocorre com a interação entre um parasita e um hospediro: essa relação é dita positiva para o parasita (que retira do hospediro nutrientes necessários para sua sobrevivência), enquato é negativa para o hospedeiro (o qual é prejudicado pela perda de substâncias importantes para o correto funcionamento de seu organismo).

São conhecidos dois tipos de parasitos: os ectoparasitos e os hemoparaitos. Os ectoparasitos, são parasitos externos, que habitam a parte externa do corpo do hospedeiro, como os carrapatos, pulgas e piolhos. Já os hemoparasitos são parasitos internos (e por isso são também chamados de endoparasitos), sendo localizados no sangue de seu hospedeiro. Um bom exemplo de hemoparasitos são os causadores da malária.

De acordo com estudos de Bongfen e colaboradores (2010), cinco espécies diferentes de hemoparasitos do gênero Plasmodium, pertecentes ao filo Apicomplexa, causam a malária em humanos. Porém, não são somente os seres humanos que sofrem com a malária, que também é uma doença muito comum em aves, motivo pelo qual a malária vem recebendo cada vez mais enfoque nos estudos para a conservação de muitas espécies aviárias ameaçadas de extinção.

Estudos sobre a malária aviária vêm sendo cada vez mais frequentes para a conservação da avifauna porque doenças parasitárias costumam ser um importante fator limitante do tamanho de populações naturais, uma vez que espécies com pequenas populações, resultantes de falhas na reprodução e/ou mortalidade decorrente de doenças, podem ser levadas à extinção.

Ao contrário da malária humana que é ocasionada somente por hemoparasitos do gênero Plasmodium, a malária aviária é ocasionada por diferentes espécies de hemoparasitos dos gêneros Plasmodium, Haemoproteus e Leucocytozoon, todos pertencentes ao filo Apicomplexa. Destes, Plasmodium e Haemoproteus infectam hemácias, enquanto que Leucocytozoon infecta leucócitos.

Fig. 1 - Células sanguíneas aviárias infectadas por Plasmodium, Haemoproteus e Leucocytozoon. Hemácias infectadas por Plasmodium (A), hemácias infectadas por Haemoproteus (B), leucócitos infectados por Leucocytozoon (C).


Estudos relizados por Nagao e colabradores (2008), sugerem que o P. gallinaceum (uma espécie de hemoparasito causador da malária aviária capaz de infectar uma grande variedade de aves, e provocar altas parasitemias - infecções altas), induzia a modificação da superfície das hemácias (células sanguíneas vermelhas) que ele infectava; modificações estas que podem ser semehantes às modificações causadas pelo hemoparasito da malária humana P. falciparum, o que induz saliências semelhantes que medeiam a adesão patogênica das hemácias parasitadas em microvasos.

Fig. 2 - As alterações nas hemácias podem levar ao rompimento dessas células, o que ocasiona um dos principais sintomas da malária, a anemia.


A infecção por hemoparasitos pode ser assintomática, apresentar complicações menos graves, bem como levar ao óbito do hospedeiro - o que vai depender de como está o sistema imune do hospedeiro. Deste modo, diante do exposto fica claro que estudos sobre a malária aviária juntamente com a redução ou completa eliminação dos mosquitos vetores (insetos que transmitem os hemoparasitos causadores da malária aviária), são cada vez mais importantes para que se haja uma preservação mais efetiva da avifauna, uma vez que a malária tem um alto efeito na dinâmica populacional, pois pode impedir uma reprodução eficiente das aves infectadas e até causar o óbito de muitas delas; um efeito que pode ser devastador em populações de aves ameaçadas de extinção, as quais podem desparecer de vez do nosso planeta.



Referências Bibliográficas:


- BONGFEN, S. E.; LAROQUE, A.; BERGHOUT, G.; GROS, P. Genetic and genomic analyses of host-pathogen interactions in malaria. Trends in Parasitology, v. 25, n. 9, PP. 417-422. 2010.

- NAGAO, E.; ARIE, T.; DORWARD, D. W.;FAIRHURST, F. M.;DVORAK, J. A. The avian malaria parasite Plasmodium gallinaceum causes marked structural changes on the surface of its host erythrocyte. Journal of Structural Biology, v. 162, pp. 460–467. 2008.

Entendendo mudanças climáticas recentes

As mudanças climáticas são alterações que ocorrem no clima geral do planeta Terra. Essas alterações são verificadas através de registros científicos nos valores médios, ou desvios de média, apurados durante anos.

As mudanças climáticas são produzidas em diferentes escalas de tempo em um ou vários fatores meteorológicos como por exemplo: temperaturas máximas e mínimas, índices pluviométricos, temperatura dos oceanos, nebulosidade, umidade relativa do ar dentre outros.

As ações climáticas são provocadas por fênomenos naturais ou por ações antrópicas. Neste último caso, as mudanças climáticas tem sido provocadas a partir da Revolução Industrial (século XVIII), momento no qual aumentou-se significativamente a emissão de C02.

O aumento do nível do mar, o degelo no Ártico, a frequência de ciclones e furacões, intensificação das secas e das tempestades, aumento da temperatura global; são reflexos da ação antrópica no ambiente.

A Terra possui naturalmente um "efeito estufa" para a manutenção de vida, cerca de 30% da radiação recebida pelo sol é refletida pela superfície e pelas nuvens, 20% é absorvida pela atmosfera e 50% é absorvida pela superfície. A radiação recebida menos a refletida é conhecida como Fluxo Líquido Solar. O vapor d'água seguido de perto pelo CO2 e pelo CH4 são responsáveis pela absorção de calor atmosférico na Terra, sem o "efeito estufa" natural a Terra seria 18°C mais fria. Nos polos essa proporção entre radiação emitida e absorvida é diferente; há um déficit na radiação absorvida devido ao albedo-quantidade de luz refletida- consequência da predominância do branco que só reflete a luz .

Os absorvedores de radiação emitem e absorvem em comprimentos de onda específicos, o balanço radioativo implica em uma superfície global estável. Se o sistema Terra -Atmosfera está fora do balanço radioativo a temperatura da superfície será mudada. O forçamento radioativo é uma medida da influência que um fator de pertubação tem no balanço radioativo global. Caso fique mais retida do que saia a radiação da atmosfera teremos um forçamento positivo; caso saia mais teremos um forçamento negativo de radiação.

Se o sistema Terra-Atmosfera sai do balanço radioativo ele vai tentar voltar ao equilíbrio, com um aumento ou diminuição da temperatuda da superfície global.
No processo de estabelecer a temperatura haverá mudanças na troposfera e estratosfera.
 
Hoje, com o resultado das atividades humanas existe um forçamento radioativo positivo com o aumento da temperatura. Em dados analisados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change- Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), há a medição dos gases estufa de 1750 a 2005. O CO2 possui a maior força positiva, dentre os outros gases, deixando a atmosfera mais opaca para a passagem de radiação.

Mas quanto custa para a temperatura média da superfície global mudar, em resposta ao forçamento radioativo?E quanto tempo demora para que essa mudança ocorra?

O equilíbrio é um alvo em constante movimento e que nunca é atingido. Mesmo sendo difícil analisar, a sensibilidade climática é um quadro extremamente valioso. O determinante para a sensibilidade climática é o sinal e a força dos feedbacks no sistema do clima, ou seja, as respostas que o clima dá aos forçamentos. O derretimento do gelo no Ártico é um exemplo de feedback.
Esses feedbacks são usados para análise e elaboração de modelos climáticos. Durante o desenvolvimento e refinamento do modelo muita atenção é dada à capacidade deste simular o estado atual do clima. A obtenção de resultados deve ser sempre reavaliada.

Numa visão mediadora entre um crescimento modesto e um agressivo, o CO2 passará de um nível de 387 ppm - partes por milhão - hoje, para 720 ppm em 2100.

As projeções mudam de modelo para modelo, porém deve-se levar em consideração que a temperatura irá aumentar indiscutivelmente. No modelo otimista haverá um aumento de 1,8°C, no pessimista 3,6°C e 2,2°C no mediador destes.

Para saber o quanto essa temperatura irá aumentar depende dos feedbacks, dentre eles albedo, vapor d'água e o ciclo do carbono.

Por causa das manifestações regionais dos feedbacks, como mudanças na circulação atmosférica e pluviosidade as mudanças não serão uniformes em todo o planeta. Dentre as discussões um concenso é de que o Ártico aquecerá mais.
A urgência com que a questão climática se apresenta traz à tona o debate sobre o modelo de desenvolvimento trilhado pela humanidade desde antes da Revolução Industrial e desafia nossa capacidade de “re-inventar a roda”. As mudanças climáticas são um tema que extrapola os muros da ciência ou os interesses de grupos e que já produzem alterações na política, na economia e na vida cotidiana das pessoas (onde mais claramente os impactos já vêm sendo percebidos).

" o mundo tem menos de uma década para mudar seu resumo. Não há assunto que mereça atenção mais urgente, nem ação mais imediata"
PNUD-ONU

Referências Bibliográficas:
Undertanding Recent Climate Change-Conservation Biology, Vol.24, No. 1, 2010.10-17

Lívia Mara de Oliveira Lara
Aluna do 3° Período de Ciências Biológicas-UFSJ

domingo, 18 de abril de 2010

Professor Pesquisador

Ser professor nos dias atuais é mais do que um desafio é, sobretudo, ser um profissional dedicado à pesquisa, conhecedor das habilidades e competências exigidas para se enserir com competência nos moldes das exigênciasdo século XXI.
Ao professor não cabe mais a noção de só saber ensinar, mas a de compreender que ensinando também se aprende.
Nos dias atuais não há mais como conceber ser professor sem análise minuciosa do saber fazer, saber analisar, associar idéias em diferentes áreas do conhecimento ou ainda pesquisar a si mesmo, ser autocrítico.

Na verdade, falar em produção de conhecimento pelo professor no Brasil ainda é tabu. Em primeiro lugar porque as condições concretas de trabalho docente tornam-se extremamente impraticáveis as possibilidades de a pesquisa vir, a curto ou a médio prazo, a ser inserida no perfil profissional dos professores de ensino fundamental e médio.
Nas condições atuais pesquisar é um fardo praticamente impossível de se carregar.
No Brasil o movimento de aproximação entre trabalho docente e pesquisa adquiriu voz de várias maneiras:
  • a consideração da pesquisa como princípio científico e educativo.
  • a combinação de pesquisa e prática no trabalho e formação de professores.
  • a discussão do papel didático que pode ter a pesquisa na articulação entre saber e prática docente.
  • a ênfase na importância da pesquisa como instrumento de reflexão coletiva sobre a prática.
Algumas pesquisas indicam que o ponto mais forte de investigações realizadas por professores/as está na relevância, pois as questões se relacionam a problemas da sala de aula e da prática escolar. Porém, alguns trabalhos apresentam deficiências metodológicas significativas e, ainda, encontram-se poucas evidências para se sustentarem os resultados apresentados. Enfim, há controvérsias quanto à formação e ao trabalho do/a professor/a como investigador/a.
A prática da pesquisa pelo professor de Educação Básica no Brasil é cercada de dificuldades ressaltando-se dois problemas diferentes apesar de relacionados.
  1. deslocar o foco da reflexão do sucesso de suas iniciativas para um entendimento mais geral das condições de possibilidade de sua docência.
  2. conseguir manter esse novo olhar nas condições desfavoráveis do ensino público brasileiro.
A participação do professor em cursos de pós graduação, especialmente de mestrado, sobretudo pela necessidade de elaborar uma dissertação baseada numa pesquisa avaliada com critérios bastante rigorosos, auxilia o professor a entrar no mundo da pesquisa.
A ausência da referência à relação implícita do professor com os vários tipos de conhecimentos ( científicos, metodológicos, curricular e organizacional) torna muito mais precária qualquer análise da prática escolar.
Atualmente com a interação entre alguns professores de Escolas Públicas e alunos da Universidade através do PIBIDI, existe a possibilidade de uma observação e crítica da prática do professor, possibilitando uma possível transformação educacional.

Referências bibliográficas:
Ciências e Educação, vol.15, nº3, p.476, 2009.

sábado, 17 de abril de 2010

Pra que você usa a Internet? (Parte I)

Há não muito mais de 10 anos, quando o acesso à Internet (...lentamente...) começava a chegar às casas dos mais afortunados e os telefones celulares (muito maiores à época do que o nome parece sugerir) eram uma realidade cara e possível apenas nos grandes centros urbanos, era difícil imaginar o quanto os serviços envolvendo estas tecnologias iriam se desenvolver em tão poucos anos. O que hoje é trivial – comunidades gigantescas como Orkut, serviços de comunicação instantânea como MSN e Skype (com direito a som e vídeo!), recebimento de músicas, notícias e atualizações de sites via celular, jogos online envolvendo milhares de jogadores simultâneos, acesso a boa parte dos recursos da Internet por meio de smartphones, etc. – era pouco mais que algumas previsões ousadas de alguns especialistas em tecnologias de comunicação.

Tudo isto aconteceu muito rápido, deixando pouco tempo para as pessoas se adaptarem – ou, pelo que parece, a maioria delas. Esta sensação de mudança brusca não foi sentida, no entanto, por aqueles mais jovens que já cresceram no meio desta tecnologia. Estes não tiveram de aprender uma nova linguagem para a troca de informações – ela é sua linguagem natural. Marc Prensky, renomado consultor em educação e ensino, já em 2001, criou uma designação para estas pessoas, “nativos digitais”. A preocupação deste especialista na criação de jogos educativos é demonstrar, segundo suas próprias palavras, que “nossos estudantes mudaram radicalmente. Os estudantes de hoje não são mais as pessoas para as quais nosso sistema de ensino foi desenvolvido”. E, realmente, estes novos meios de comunicação fornecem possibilidades de interação com as informações e outras pessoas de forma quase aleatória, permitindo ao usuário total liberdade de escolha sobre o que, quando e como ele vai acessar. A escola, ao contrário, continua presa ao modelo antigo, onde seria o sistema escolar quem deteria todo o conhecimento e, sobretudo, a ordem e maneira como este conhecimento deveria ser transmitido. Pior – neste modelo ultrapassado, a opinião e necessidades individuais de cada aluno não contam e, desta forma, não são levados em consideração para se definir o conteúdo e a metodologia de aprendizagem.

Ora, vemos aqui duas realidades completamente diferentes que os estudantes encaram diariamente: fora da escola ele tem acesso à telefonia móvel, à Internet e mesmo à já velhinha televisão que, unidas, fornecem meios de acesso ao mundo extremamente dinâmicos, sonoros, coloridos e especialmente, interativos, permitindo ao usuário escolher o que ele quer ver e fazer; no outro lado, uma escola chata, com cadeiras desconfortáveis, um conteúdo estático e desinteressante, um quadro monocromático, professores mal pagos e insatisfeitos e a terrível obrigação do aluno de, na maior parte do tempo, se conformar apenas com o que a escola acha que ele deve aprender, além de cobrar a reprodução deste “aprendizado” o tempo todo. As consequências são óbvias e assistidas por todos, sempre: alunos também insatisfeitos, escolas sem saber o que fazer para “discipliná-los”, notas baixas e, o mais paradoxal dentro de um sistema de ensino, NINGUÉM APRENDE NADA. O que fazer, então? Acabar com a escola, já que os jovens teriam condição de, sozinhos, construir o próprio conhecimento da forma como achassem mais confortável e eficiente? Infelizmente não é tão simples assim.

Esta geração de nativos digitais não está sozinha. Há um mundo lá fora, não tão antigo quanto o mundo maravilhoso que estudam as ciências naturais, mas que também já existia bem antes deles chegarem aqui; um mundo de regras sociais e econômicas, de conflitos e, especialmente, de competições. Como sempre acontece em toda a história humana, quem chega por último herda um sistema bem estabelecido, geralmente desigual em condições e oportunidades e, na maioria das vezes, inflexível. Neste tempo em que vivemos, entretanto, aparentemente as oportunidades de escolha são um pouco maiores. Isto acontece porque o conhecimento, hoje, tem um valor particularmente grande, ao passo que há alta disponibilidade de tecnologias permitindo a troca de informações. Quem conhece mais, portanto, também tem mais opções; consequentemente, é mais livre e, sem dúvida, esta geração dos nativos digitais faz bastante uso das tecnologias que permitem isto. Resta saber se o uso que é feito delas é o tipo de uso que garantirá a liberdade de escolha para estes jovens, neste mundo.

Na segunda parte deste texto veremos o que os estudos em pesquisa do ensino apontam sobre a eficácia do uso destas tecnologias no aprendizado (e como elas têm sido usadas para isto) e, especialmente, o que pesquisas feitas ao redor do mundo descobriram sobre o uso que os jovens têm feito dela, de forma independente. Enquanto isto, participe da nossa enquete (no início da página): para que você usa a Internet?

Até breve.

Bibliografia

Digital Natives, Digital Immigrants; de Marc Prensky. MCB University Press, Vol. 9 No. 5, 2001.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

As membranas celulares e a vida agitada da ciência.

Às vezes nos deparamos com imagens bastante simples que representam as células. Mas essas simpificações às vezes escondem a beleza das estruturas celulares e as maravilhas do seu funcionamento.

Um exemplo disso é a membrana celular, que tem sido alvo de constantes estudos científicos, por sua magnífica capacidade de seleção e sinalização das atividades celulares. Longe de ser uma linha dupla contínua, uma bexiga ou uma bolha, as membranas celulares são estruturas complexas, vivas, cheias de atividades e controles.

É através das membranas que as células são reconhecidas por outras células. É na membrana que estão as estruturas que reconhecem os sinais químicos que ativam ou desativam atividades das células, como multiplicar-se, produzir secreção ou até morrer! É isso mesmo, uma célula pode receber um sinal para programação de sua morte e é na membrana que esse sinal é recebido e ativado. Nas membranas também estão as estruturas que controlam o que entra ou sai das células. Essas funções são desenvolvidas por proteínas ancoradas na membrana celular.



Na Universidade de Nanjing, (http://www.nju.edu.cn/) província de Jiangsu na China,(http://en.wikipedia.org/wiki/Jiangsu) pesquisadores tem se dedicado a compreender o papel de proteínas transmembrana.

Após muitos estudos, publicaram uma mini revisão do que eles e outros pesquisadores já sabem sobre sobre um tipo de proteína da membrana celular. Esse estudo chamado "Review" ou seja, revisão, foi publicado em uma revista científica dos Estados Unidos, chamada "Life Sciences" ou "Ciências da Vida". O artigo se chama "ABCG2: um marcador potencial de células tronco e um novo alvo para terapias em câncer e células tronco". A referência completa desse artigo (o nome do trabalho, dos autores, e os dados da revista onde foi publicado) está no final desse texto. O artigo completo pode ser baixado integralmente a partir de um computador que tenha acesso às publicações científicas do Portal de Periódicos da CAPES (www.periodicos.capes.gov.br) . Nas universidades públicas federais esse acesso é permitido e você pode, mesmo sem ser aluno, consultar esses textos nas bibliotecas informatizadas.

Como você pode ver, a ciência é construida por muitas pessoas, às vezes de lugares distantes, que se dedicam a uma questão particular. Cada um pesquisa uma parte e publica seus resultados em revistas internacionais. Todos os pesquisadores lêem essas revistas, e vão aos poucos construindo um corpo de conhecimento sobre o assunto.

Mas voltando às membranas. O grupo de pesquisadores chineses juntaram tudo o que se sabe sobre esse tipo especial de proteínas, as ABCG2. As proteínas ABC são um grupo de proteínas transmembrana transportadoras. Transportam drogas, metabólitos e outras moléculas para dentro e para fora das células, sempre utilizando ATP, ou seja, energia metabólica. Em humanos são quase 50 tipos de proteínas ABC, e de acordo com sua estrutura, essas proteínas são divididas em sete subfamílias (A, B, C ... até G). Portanto, a ABC G2 é uma proteína transportadora ABC da subfamília G e família 2 (devem haver várias, 1, 2, 3, 4...). Simples não?

Bom, a ABC G2 foi inicialmente identificada em células de câncer de mama. Depois, ao longo das pesquisas foi-se identificando as mesmas proteínas nas membranas de outras células, não cancerosas, e mais recentemente percebeu-se sua grande presença em células tronco. Hoje são consideradas marcadores universais de células tronco. Não se tem ainda a descrição fisiológica das funções da ABC G2 nas células tronco, mas já se têm uma série de evidências. Sabe-se que as ABC G2 exercem importante papel na proliferação e manutenção do fenótipo das células tronco.

Células tronco?



Outra importante conclusão sobre essas proteínas é que há um grupo preferencial de células tronco onde a ABC G2 se expressam com grande intensidade. São células que já eram conhecidas por transportar para fora delas um corante utilizado para identificar células de câncer. No decorrer das pesquisas, tem se verificado que essa habilidade de exportar substâncias é uma grande habilidade dessas células e hoje se acredita que isso se deve à presença da ABC G2. Esse transportador manda para fora das células medicamentos de quimioterapia contra o câncer, o que faz com que as células que a expressam sejam resistentes a uma variedade muito grande de medicamentos. Essa característica pode fornecer informações do porque algumas pessoas são resistentes aos tratamentos, ou seja, porque o tratamento com medicamentos não funciona.

Lendo textos científicos como esse, me espanto com o quanto temos avançado no conhecimento sobre estruturas moleculares. Meu espanto é maior ainda com o trabalho que temos pela frente. Primeiro porque nós humanos não nos conformamos em não saber. É característica nossa querer desvendar o funcionamento de tudo o que nos cerca, e a vida é fascinante e cheia de detalhes infinitos, infinitas possibilidades de conhecer, investigar, aprender. Segundo, nós humanos não nos conformamos em apenas observar os fenômenos, nós temos a necessidade de interferir, controlar. Assim, diante da limitação, do desconforto, da doença, do infortúnio, nos mobilizamos para alterar nossa história, nossos limites, nossas incapacidades. Por isso a ciência é um feito humano fascinante!

Bibliografia
Xi-wei Dinga, Jun-hua Wuc and Chun-ping Jianga. “ABCG2: A potential marker of stem cells and novel target in stem cell and cancer therapy.” Life Sciences. Volume 86, Issues 17-18, 24, Pages 631-637. Abril 2010.

Aprendizagem cooperativista


Como motivar os alunos dentro de sala? Vários são os métodos para tentar tornar as aulas mais interessantes e melhorar o aprendizado dos alunos. Embora isso não seja sempre alcançado, os professores utilizam dentro da sala de aula algumas alternativas como vídeos interativos, filmes, jogos e sugerem os famosos trabalhos em grupo ou em dupla. Como forma de motivar os alunos para tais atividades os professores avaliam os trabalhos em dupla, a participação do aluno nas atividades sugeridas e a disciplina. Pensando em avaliação, trabalhos em grupo seria uma boa forma de avaliar?

Segundo trabalhos de Schaal e colaboradores (2009) a aprendizagem cooperativista é mais eficiente do que a individual. Em análises sobre a aprendizagem de alunos trabalhando em duplas, as duplas homogêneas obtiveram melhores resultados na apredizagem do que as duplas heterogêneas.

As duplas homogêneas seriam alunos com rendimentos escolares parecidos. Por outro lado, as duplas heterogênias seriam formadas por um aluno com alto rendimento escolar e por outro aluno com menor rendimento escolar. A formação de duplas homogêneas possibilita aos alunos acompanhar e desenvolver as atividades propostas juntos.

Baseado nisso, quando é sugerido trabalhos em dupla sem nenhum critério de formação das duplas, a avaliação pode ser falha. Sendo que na dupla heterogênea a avaliação não será verdadeira. Schaal e colaboradores (2009) utilizaram a última nota e a habilidade oral do aluno para formação das duplas. Seria essa forma adequada para um melhor rendimento do aluno?

Assim, é possível perceber que existem lacunas sobre como avaliar os alunos e como deve ser realizada essa avaliação. Nota-se que métodos comuns e aceitos pelos alunos estão sendo falhos sendo assim necessário desenvolvimento de novas pesquisas e novos métodos avaliativos para que de fato ocorra a aprendizagem efetiva.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

SCHAAL, S.; BOGNER, X. F.; GIRWIDZ, R. Concept Mapping Assessment of Media Assisted Learning in Interdisciplinary Science Education. Res Sci Educ v.40, pp. 339–352, 2010.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Peixe Esperto

É fascinante ver um cão obedecendo seu dono, entendendo quando dito para sentar, pegar objetos, rolar e até fingir de morto. Cavalos também fazem incríveis truques quando ensinados. Já viu algum peixe fazendo algo além de comer e nadar de modo quase apático? Imagine encontrar sinal de inteligencia em um peixe?

Cientistas austríacos demonstraram que peixes podem aprender truques. No experimento foi usado aquários especiais, onde havia uma barreira que protegia a comida de ser vista. Essa barreira também impedia que pistas olfativas chegassem até os peixes. O treinamento era feito atravéz de placas diferentes. O treinador colocava a comida atraz da barreira e em seguida levantava uma placa para ser vista pelo peixe. Elas davam pistas sobre o local onde o alimento era encontrado. A placa marcada com um "x" vermelho significava que a comida estava do lado direito, já a placa com um quadrado azul dava a pista ao peixe que a comida estava no lado esquerdo.

Os peixes, com o tempo, aprenderam a associar as placas ao local onde a comida estava, mostrando serem capazes de aprender esse truque. Mas os cientistas queriam também testar quais eram os peixes mais inteligentes dentre eles, e separou os em grupos distintos.

Um grupo era constituído por peixes que na juventude eram tratados com fartura de alimentos, e a comida era deixada perto deles. Um segundo grupo era o grupo de peixes que na juventude não eram bem alimentados. O tamanho dos peixes foi perceptívelmente diferentes após um certo tempo. O grupo de peixes que foram mal alimentados eram menores se comparado ao grupo dos peixes que eram tratados com excesso de comida. Então eles resolveram controlar a comida para que ambos os grupos chegassem a fase adulta com mais ou menos o mesmo tamanho e peso. Assim, aumentaram a comida dos que recebiam pouco e diminuiram a dos que recebiam muito. Um terceiro grupo era alimentado de forma constante da juventude à fase adulta.

Fig.1- Visão de cima do aquário. As placas eram colocadas nos respectíveis locais indicando a presença do alimento. O divisor de caminho fazia com que o peixe escolhesse um dos lados(direito ou esquerdo) antes de estar perto do alimento. Essa escolha era feita precocemente. O que no experimento confirmou que eles seguiam a recomendação do treinador que avisava a localização do alimento com uma das placas.



Então o experimento das plaquinhas foi feito novamente e dessa vez constatou que os peixes que eram tratados de forma constante eram "menos inteligentes" se comparados aos grupos que tiveram mudança na sua alimentação. Os peixes do grupo que receberam pouco alimento quando jovens eram os que reconheciam os sinais das placas e encontravam a comida de forma mais rápida que os peixes dos outros grupos.

Entretanto é bom lembrar que organismos mal nutridos tem seu desenvolvimento neural comprometido. Humanos, por exemplo, que tiveram períodos de desnutrição em seu desenvolvimento podem apresentar em testes de QI um baixo rendimento. No experimento os cientistas constataram que os peixes que foram mal alimentados, na verdade tinham pouca comida, nao deixando os completamente saciados, mas não tão pouca a ponto de comprometer o desenvolvimento neural deles.

Os motivos pelos quais os "menos alimentados" se mostravam mais espertos pode ser interpretados considerando o fato de que eles estariam sempre a procura de comida. Isso tornou possível que esses peixes desenvolvessem uma percepção maior, pois vistoriavam mais o ambiente e ao memorizar as placas, respondiam de forma mais rápida por, talvez estarem tentando não ficar com fome. O estímulo das placas foi imcorporado como uma estratégia de evitar a fome.

Notamos então que os peixes são mais inteligentes que a simpática e esquecida Dory, do Filme Procurando Nemo, que nos diverte com sua "memória de peixe".Eles usam estratégias no seu dia a dia, o que lhes permitem, na natureza, superar diversos desafios como procurar alimentos e escapar de predadores.Isso demanda certo nível de uso de memória e aprendizado. Quanto mais um animal usa suas habilidades cognitivas, mais ele estará preparado para superar problemas estressantes e adversidades presente em seu ambiente.


 

Referência:

-Kotrschal, A; Taborsky. B. Environmental Change Enhances Cognitive Abilities in Fish. PLoS Biol 8(4): e1000351. doi:10.1371/journal.pbio.1000351, 2010

-Filme: Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003,EUA)