segunda-feira, 19 de abril de 2010

Entendendo mudanças climáticas recentes

As mudanças climáticas são alterações que ocorrem no clima geral do planeta Terra. Essas alterações são verificadas através de registros científicos nos valores médios, ou desvios de média, apurados durante anos.

As mudanças climáticas são produzidas em diferentes escalas de tempo em um ou vários fatores meteorológicos como por exemplo: temperaturas máximas e mínimas, índices pluviométricos, temperatura dos oceanos, nebulosidade, umidade relativa do ar dentre outros.

As ações climáticas são provocadas por fênomenos naturais ou por ações antrópicas. Neste último caso, as mudanças climáticas tem sido provocadas a partir da Revolução Industrial (século XVIII), momento no qual aumentou-se significativamente a emissão de C02.

O aumento do nível do mar, o degelo no Ártico, a frequência de ciclones e furacões, intensificação das secas e das tempestades, aumento da temperatura global; são reflexos da ação antrópica no ambiente.

A Terra possui naturalmente um "efeito estufa" para a manutenção de vida, cerca de 30% da radiação recebida pelo sol é refletida pela superfície e pelas nuvens, 20% é absorvida pela atmosfera e 50% é absorvida pela superfície. A radiação recebida menos a refletida é conhecida como Fluxo Líquido Solar. O vapor d'água seguido de perto pelo CO2 e pelo CH4 são responsáveis pela absorção de calor atmosférico na Terra, sem o "efeito estufa" natural a Terra seria 18°C mais fria. Nos polos essa proporção entre radiação emitida e absorvida é diferente; há um déficit na radiação absorvida devido ao albedo-quantidade de luz refletida- consequência da predominância do branco que só reflete a luz .

Os absorvedores de radiação emitem e absorvem em comprimentos de onda específicos, o balanço radioativo implica em uma superfície global estável. Se o sistema Terra -Atmosfera está fora do balanço radioativo a temperatura da superfície será mudada. O forçamento radioativo é uma medida da influência que um fator de pertubação tem no balanço radioativo global. Caso fique mais retida do que saia a radiação da atmosfera teremos um forçamento positivo; caso saia mais teremos um forçamento negativo de radiação.

Se o sistema Terra-Atmosfera sai do balanço radioativo ele vai tentar voltar ao equilíbrio, com um aumento ou diminuição da temperatuda da superfície global.
No processo de estabelecer a temperatura haverá mudanças na troposfera e estratosfera.
 
Hoje, com o resultado das atividades humanas existe um forçamento radioativo positivo com o aumento da temperatura. Em dados analisados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change- Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), há a medição dos gases estufa de 1750 a 2005. O CO2 possui a maior força positiva, dentre os outros gases, deixando a atmosfera mais opaca para a passagem de radiação.

Mas quanto custa para a temperatura média da superfície global mudar, em resposta ao forçamento radioativo?E quanto tempo demora para que essa mudança ocorra?

O equilíbrio é um alvo em constante movimento e que nunca é atingido. Mesmo sendo difícil analisar, a sensibilidade climática é um quadro extremamente valioso. O determinante para a sensibilidade climática é o sinal e a força dos feedbacks no sistema do clima, ou seja, as respostas que o clima dá aos forçamentos. O derretimento do gelo no Ártico é um exemplo de feedback.
Esses feedbacks são usados para análise e elaboração de modelos climáticos. Durante o desenvolvimento e refinamento do modelo muita atenção é dada à capacidade deste simular o estado atual do clima. A obtenção de resultados deve ser sempre reavaliada.

Numa visão mediadora entre um crescimento modesto e um agressivo, o CO2 passará de um nível de 387 ppm - partes por milhão - hoje, para 720 ppm em 2100.

As projeções mudam de modelo para modelo, porém deve-se levar em consideração que a temperatura irá aumentar indiscutivelmente. No modelo otimista haverá um aumento de 1,8°C, no pessimista 3,6°C e 2,2°C no mediador destes.

Para saber o quanto essa temperatura irá aumentar depende dos feedbacks, dentre eles albedo, vapor d'água e o ciclo do carbono.

Por causa das manifestações regionais dos feedbacks, como mudanças na circulação atmosférica e pluviosidade as mudanças não serão uniformes em todo o planeta. Dentre as discussões um concenso é de que o Ártico aquecerá mais.
A urgência com que a questão climática se apresenta traz à tona o debate sobre o modelo de desenvolvimento trilhado pela humanidade desde antes da Revolução Industrial e desafia nossa capacidade de “re-inventar a roda”. As mudanças climáticas são um tema que extrapola os muros da ciência ou os interesses de grupos e que já produzem alterações na política, na economia e na vida cotidiana das pessoas (onde mais claramente os impactos já vêm sendo percebidos).

" o mundo tem menos de uma década para mudar seu resumo. Não há assunto que mereça atenção mais urgente, nem ação mais imediata"
PNUD-ONU

Referências Bibliográficas:
Undertanding Recent Climate Change-Conservation Biology, Vol.24, No. 1, 2010.10-17

Lívia Mara de Oliveira Lara
Aluna do 3° Período de Ciências Biológicas-UFSJ

11 comentários:

  1. Priscila Fernandes19 de abril de 2010 16:12

    Esse é um assunto atualíssimo, cheio de repercussões políticas, difíceis de filtrar. Penso sempre o quanto as mudanças climáticas que temos sentido são de fato globais. Gostaria de investigar quanto somos sensíveis ou capazes de sentir aumentos ou decréscimos de temperaturas. Hoje pode-se em qualquer conversa de ponto de ônibus ouvir pessoas dizendo sentir os efeitos das mudanças climáticas. é isso mesmo? A frequencia de terremotos, deslizamentos, chuvas, secas, etc, está alterada mesmo, ou vivemos um período histórico de imagens demais, memórias de menos? Tenho muitas dúvidas, poucas respostas confiáveis. Obrigada por seu texto aquecer mais esse dilema, e por contribuir para a reflexão sobre a sociedade em sua relação com a ciência contemporânea.

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  2. O aquecimento sofrido pela Terra há 55 milhões de anos foi causado por erupções vulcânicas na Groenlândia e na região ocidental das Ilhas Britânicas, indica um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. A atividade vulcânica ocorreu durante a chamada "máxima térmica Paleoceno-Eoceno" (PETM, em inglês) que causou um aumento de 5°C nos trópicos e de mais de 6°C no Ártico.
    As conclusões são de cientistas do Centro de Oceanografia e Ciências Atmosféricas da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos. Segundo os geólogos, as erupções e a contaminação atmosférica resultante causaram o que é chamado de "emergência planetária". Houve um aumento da temperatura na superfície marinha, e os oceanos se tornaram mais ácidos, o que causou a extinção de muitas espécies.

    O estudo é importante porque documenta a reação do planeta à liberação de grandes quantidades de gases poluentes na atmosfera. Outro fato de destaque é que a pesquisa correlaciona, definitivamente, um importante acontecimento vulcânico com um período de aquecimento global, segundo os cientistas.

    Considera-se que os gases que causam o efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), atualmente produzidos pela atividade industrial, entre outras, são os componentes principais da poluição e do aquecimento global que o planeta está vivendo. "Sem dúvida, as erupções e o aquecimento global estão vinculados, e o fenômeno constitui uma analogia para o que ocorre hoje", explicou Robert Duncan, um dos autores do estudo.

    "Vestígios do aquecimento foram encontrados em resíduos marítimos, assim como evidências geológicas de que as erupções ocorreram ao mesmo tempo. Mas até agora não tinha sido criado um vínculo direto entre os fenômenos", disse o cientista. Duncan também afirmou que, em alguns lugares do planeta, o aquecimento foi muito rápido, e, em outros, muito lento, "como está acontecendo hoje".

    A ligação entre a atividade vulcânica e o aquecimento global surgiu da correlação dos registros fósseis examinados pelos cientistas, segundo o relatório da pesquisa. O PETM se caracterizou por enormes mudanças na composição carbono-isotópica dos oceanos e pela corrosão das camadas de plâncton, assim como pela extinção de alguns organismos do fundo dos oceanos.

    Os cientistas também relacionaram o PETM à separação física da Groenlândia e do continente europeu - que formavam um só bloco - por meio da análise das camadas de cinzas depositadas quando houve as erupções vulcânicas.

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  3. Grandes erupções vulcânicas já tiveram efeito refrigerador no clima da Terra, mas o recente evento na Islândia é pequeno demais para trazer alívio ao aquecimento global antropogênico (causado pelo homem), disseram cientistas nesta sexta-feira (16).

    O evento marcante dessa capacidade de refrigeração vulcânica dos últimos 20 anos ocorreu em 1991, quando o Monte Pinatubo entrou em erupção nas Filipinas, resfriando a superfície terrestre em 0,5 grau Celsius no ano seguinte, o suficiente para compensar o impacto dos gases causadores de efeito estufa entre 1991 e 1993.


    Erupção do Vulcão Monte Pinatubo, fotografada a
    partir da base militar americana em Angeles, na
    província filipina de Pampanga (Foto: Arlan Naeg /
    France Presse - 12-06-1991)Um episódio refrigerador menor ocorreu em 1980, quando o Monte Santa Helena, no estado americano de Washington, teve seu topo pulverizado, um evento que embora tenha sido impressionante, expeliu apenas um décimo do material liberado pelo Pinatubo.

    No momento, estamos olhando para algo que é cerca de 100 vezes menor do que o Monte Santa Helena. Na escala em que está agora, é relativamente improvável que tenha qualquer efeito perceptível no clima"Scylla SillayoO resfriamento se explica por uma fórmula simples: o vulcão libera grande quantidade de cinzas vulcânicas e dióxido de enxofre, que são transportados para a estratosfera, camada da atmosfera acima da troposfera, a mais próxima da superfície.

    Lá, fenômenos físico-químicos criam uma fina camada de partículas esbranquiçadas que, durante meses ou anos, circundam a Terra e refletem parte dos raios solares, impedindo que a radiação atinja o solo.

    "Basicamente, é como colocar um escudo refletor sobre o pára-brisa do carro, impedindo que o interior aqueça demais", comparou Colin Macpherson, da Universidade Durham, nordeste da Inglaterra.

    Mas ele e outros afirmaram que a erupção do vulcão na geleira Eyjafjallajokull foi pequena demais, não produzindo enxofre suficiente, e sua pluma circundou a uma altitude baixa demais para ter qualquer impacto climático.

    Qualquer efeito será "muito insignificante", reforçou, de Genebra, Scylla Sillayo, da Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês).

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  4. Priscila,

    Acho que realmente as pessoas são influenciadas pelo excesso de informação e basta passarem por um dia calorento que já estão sentindo "os efeitos terríveis do aquecimento global!" Existe muita especulação e também notícias falsas, li numa revista que cientistas que trabalharam no IPCC (o Painél Internacional de Mudanças Climáticas) divulgaram realmente alguns dados falsos, o que provavelmente trouxe ainda mais confusão para essa discussão. Mas creio que de fato uma mudança antinatural está acontecendo. Uma elevação aparentemente mínima na temperatura global, mas que, como todos sabemos, acaba funcionando como um efeito borboleta. Aquela velha história da batida da asa da borboleta que desencadeia um tornado do outro lado do planeta. Um exemplo mais prático: 70 espécies de sapos da Amazonia estão desaparecendo, porque são suscetíveis a ataques de fungos que se beneficiam de temperaturas mais elevadas. O desaparecimento de uma espécie de sapo, geralmente um consumidor secundário de uma cadeia trófica, desestabiliza todo um ecossistema. (ou vários)!

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  5. Engraçado como realmente fazemos opções. Esse é um assunto sobre o qual não gosto muito de conversar. Sei lá, parece o fim próximo, rs. No entanto, adoro ver como a ciência vem se tornando capaz, cada vez mais de explicar alguns fenômenos. A ciência me faacina cada vez mais... sempre que paro para refletir sobre isso me perco em pensamentos e fico ate sem fala. Porque a ciência é tão maravilhosa?

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  6. É muito importante mesmo discutir esse assunto! Não se sabe o quanto esses estudos são precisos, mas sabemos que grandes mudanças globais vem acontecendo, estamos sentindo!

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  7. A questão "somos ou não uma influência significativa nas alterações climáticas recentes?" é um assunto dentro do qual eu não consigo tomar um partido. Não sou especialista e o que me resta é observar os estudos e mais estudos mostrando uma série de correlações, algumas favoráveis a uma resposta, algumas a outra. O que fica é a ideia deste ser um assunto sobre o qual, dada a quantidade imensa de variáveis desconhecidas, ninguém é especialista, na realidade. É praticamente uma mecânica quântica do meio ambiente.

    Além das dificuldades técnicas, tanto a produção quanto a comunicação do conhecimento científico na área é cercado por questões políticas, econômicas e, na ponta de cá (de meros espectadores como eu), ocorre a mistura deste conjunto já confuso de informações com o imaginário social que vocês já citaram. O que me resta é continuar acompanhando os resultados das pesquisas, somando aos poucos cada uma das novas considerações.

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  8. q mundo estamos vivendo onde ninguem sabe cuidar do seu proprio mundo sendo q alem de prejudicar o mundo prejudica também a saúdeee

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  9. temos conciÊncia do q podemos fazer para acabar com essa grande responsabilidade de ajudar a nos mesmo e tanbem ao mundo inteiro...
    como essas pessoas tem carater pra deixar o mundo nessa cituação; pq não ajudarmos a resolver em vez de deixar como esta

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  10. ronilson alves da silva30 de novembro de 2010 13:36

    as mudanças climatidas, são resultado da intolerançia absurda do homem em busca da incansavel riqueza..o mundo terá sorte como o homem vem tendo?..!!

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  11. hahahaha mtoo boa mto boa pinguim na prada

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