quinta-feira, 6 de maio de 2010

Como o sol mandar

Sabe-se, atualmente que as variações ambientais são quem modulam o comportamento de vários animais, se não de todos (isso porque não podemos afirmar nada em Biologia). O artigo publicado em janeiro deste ano na Trends in Endocronology and Metabolism, em uma revisão chamada Função do Hormônio Inibidor da Gonadotropina em mamíferos (Gonadotropin inhibitory hormone function in mammals, nome original), destaca como um hormônio pode modular as funções reprodutivas dos animais e de ingestão de alimentos. ste hormônio foi primeiramente descritos em aves e agora uma série de experimentos comprovaram a existência deles em vários grupos de mamíferos. No entanto, a função desse hormônio ainda não é nada elucidada. Sabe-se que pela suas ligações no sistema nervoso, ele modula diretamente a liberação dos hormônios gonadotrópicos, ou seja, aqueles hormônios que atual sobre as gônodas. Estes hormônios que atuam sobre as gõnadas que são os ovários e os testículos, são o FSH, chamado Hôrmonio Folículo Estimulante e LH, Hôrmonio Luteinizante. Eles atuam na maturação dos gametas (células reprodutivas) e no ciclo ovariano, ou seja, são eles que determinam a época em que os organismos devem reproduzir e que mantém o embrião dentro do útero pelo controle de outros hormônios o estrógeno e progesterona. Sendo assim, existe uma castaca de controle, são hormônios que controlam hormônios e estes controlam o funcionamento do corpo de várias maneiras.

Esses ciclos reprodutivos são controlados por fatores externos. Pensando em ambientes naturais, o que leva os pássaros a saberem que os invernos são ruins para a reprodução e a primavera é uma boa época para reprodução? O que torna uma estação mais favorável do que a outra para isto?

Através dessas peguntas e pesquisas nas mais diversas áreas, não somente da Biologia, pesquisadores chegaram a conclusão o fotoperíodo (período de exposição à luz),a temperatura e até mesmo a quantidade de chuvas, podem ser determinates para que as espécies entrem no período reprodutivo. Mas o que acontece dentro do corpo que faz com que os animais saibam disso?


O corpo funciona bem, porque existem uma série de mecanismos de controle que ao interagirem com o ambiente mudulam o funcionamento do corpo e os mais potentes reguladores dessas atividades são os hormônios. Como foi dito anteriormente existem hormônios específicos para o controle das funções reprodutivas, mas agora, acredita-se que este hormônio inibidor dos hormônios gonadotróficos (FSH e LH) é quem recebe os estimulos externos e controla a secreção desses hormônios, e não somente eles mesmos por mecanismos intrínsecos de retroalimentação (feedback) eram quem controlavam esse processo.

Sendo assim, o nosso organismo é algo extremante dependente das condições do ambiente, por isso é tão importante cuidar do ambiente à nossa volta, para que possamos funcioanar da melhor maneira possível.

6 comentários:

  1. Muito interessante e um pouco preocupante! To lendo seu texto e me lembrando de algumas aulas de comportamento animal, onde conhecemos um gen chamado PER. Esse gene é comum e "transversal", ocorre em diversos organismos, desde uma ameba até nós seres humanos. O gene PER regula os processos de periodicidade dos organismos, como por exemplo, a noção de dia e noite. Em contraste com o que a colega escreveu, aprendemos na disciplina de comportamento, que a expressão desse gen é exclusivamente intrínseca. Ou seja, independentemente do ambiente, certos processos fisiológicos são despertados internamente. Mas, por outro lado, como apresentado no texto, existem também processos fisiológicos que são completamente ligados às condições do meio externo!

    Waldir

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  2. Então Waldir, essa é a grande questão do artigo. Eu tambémm acredito que o genoma esteja com todas essas informações e desencadeie essas reações. No entanto, a hora mais proprícia para aquele organismo se reproduzir deva ser informada pelo ambiente, afinal, mesmo que um determinado animal esteja fisiologicamente pronto para se reproduzir se ele não tem disponibilidade de alimento e outros ítens necessários para a manutenção daquele novo ser que será gerado. Assim, acho que as duas coisas são importantes sim, mas uma sem a outra não teria uma boa resposta.

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  3. Ester de Oliveira7 de maio de 2010 18:02

    Pra mim soa naturalíssimo que o ambiente tenha influência na reprodução dos organismos afinal reprodução é como a bolsa de valores, você tem que saber qual a 'melhor hora de investir'.
    Para animais como mamíferos e aves que possuem grande gasto na reprodução, somado aos cuidados parentais, saber quando investir é diretamente proporcional ao seu fitness. Assim acho que essas pesquisas iniciais sobre esse hormônio inibidor da gonadotrofina começam a responder melhor algumas questões de comportamento animal.

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  4. Ester de Oliveira7 de maio de 2010 18:10

    Pra mim soa naturalíssimo que o ambiente tenha influência na reprodução dos indivíduos. Afinal reprodução é como a bolsa de valores, você tem que saber qual a 'melhor hora de investir'. Pra mamíferos e aves que possuem um grande gasto com a reprodução, somado aos cuidados parentais, saber a melhor hora de se reproduzir está diretamente relacionado ao seu fitness.

    Acho que essas pesquisas iniciais sobre o hormônio inibidor da gonadotrofina está nos ajudando a entender melhor algumas questões do comportamento animal. Esperaremos as próximas pesquisas elucidando o funcionamento e mecanismo de regulação do tal hormônio. Mal posso esperar..rsrs.

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  5. Ester de Oliveira7 de maio de 2010 18:13

    Postei uma vez e o treco não apareceu, postei de novo e fiquei com dois comentários identicos...rsrs
    Fazer o quê!! rsrs

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  6. Na edição da revista Cell deste mês o trabalho da capa é de um brasileiro e que acho que tem bastante a ver com o tema geral discutido neste texto aqui. Ele se chama "The Vomeronasal Organ Mediates Interspecies Defensive Behaviors through Detection of Protein Pheromone Homologs" e fala da percepção olfativa de uma proteína que permite que os animais percebam a presença de seus predadores específicos de forma inata.

    O artigo pode ser acessado aqui.

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